Governo

TAP: Princípio da não interferência do Governo foi “progressivamente substituído” por controlo

Notícias de Coimbra | 1 ano atrás em 11-04-2023

O presidente do Conselho de Administração da TAP disse hoje que o princípio da não interferência do Estado “foi sendo progressivamente substituído” pelo controlo e que a saída de Alexandra Reis agravou “problemas que afetam o bom funcionamento” da empresa.

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“O princípio da não interferência foi sendo progressivamente substituído pela prática do controlo”, afirmou Manuel Beja, que está a ser ouvido na comissão de inquérito à TAP acrescentando que se tornou “evidente que qualquer tema que pudesse ter repercussão mediática teria de passar pelo crivo” do Ministério das Infraestrutura, ou do Ministério das Finanças, ou de ambos.

O administrador disse ainda que a saída de Alexandra Reis, cuja indemnização de 500.000 euros motivou a constituição da comissão de inquérito, “contribuiu para evidenciar muitos dos problemas que afetam o bom funcionamento da TAP”.

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Questionado pelo deputado do PSD Hugo Carneiro sobre a intenção de mudar a frota de carros para administradores e diretores, Manuel Beja disse que a reversão da decisão “é um exemplo de uma participação do Ministério [das Infraestruturas] na ação da comissão executiva”, “numa ação corriqueira”.

“Tanto quanto é do meu conhecimento, foi revertida por instrução do secretário de Estado Hugo Mendes”, afirmou, defendo que devia ter sido a comissão executiva a reverter aquela decisão.

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De acordo com o presidente do Conselho de Administração, “a maior parte do contacto corriqueiro sobre a gestão corrente era feita entre a presidente do conselho executivo e o membro do Governo”, considerando que havia “uma perceção de que essa presença do Governo em alguns casos seria benéfica e justificada, mas em alguns casos seria um extravasar de competências”, ainda que “claramente bem intencionada”.

Questionado se tinha conhecimento de dificuldades de comunicação entre o ex-ministro Pedro Nuno Santos e o ex-ministro das Finanças, João Leão, Manuel Beja admitiu que se sentia “que a relação não era fácil”, mas sublinhou que, “tradicionalmente”, as relações entre as Finanças e os outros ministérios são difíceis.

Sobre se houve uma mudança de padrão com a entrada de Fernando Medina no Governo, Manuel Beja disse julgar que as relações entre ministros melhoraram.

“As relações entre secretários de Estado pioraram, Miguel Cruz era extremamente presente e interventivo, […] conhecia a TAP com muita profundidade, julgo que ao nível de secretário de Estado, [função] mais operacional, as coisas se terão tornado menos ágeis”, acrescentou.

 

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