Cientistas identificaram pela primeira vez evidência biológica concreta que pode explicar por que um pequeno grupo de pessoas continua sem sentir o sabor da comida — mesmo muito tempo depois de terem recuperado da COVID‑19.
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Uma equipa internacional de cientistas analisou pacientes que continuam com perda de paladar prolongada mais de um ano após a infeção por SARS‑CoV‑2, o vírus que causa a COVID‑19.
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Em biópsias das papilas gustativas (as pequenas estruturas na língua que detectam sabores), os investigadores encontraram alterações biológicas específicas nas células responsáveis pelo sentido do gosto.
Em particular, foi detectada uma redução nos níveis de mRNA que produz a proteína PLCβ2 nas células gustativas — uma proteína essencial para transmitir sinais de doce, amargo e umami ao cérebro.
Quando a produção desta proteína está diminuída, o sinal que deveria informar o cérebro sobre o sabor dos alimentos fica mais fraco ou interrompido, o que pode tornar a comida insípida ou sem sabor.
Normalmente, as células das papilas gustativas renovam‑se a cada duas a quatro semanas, mas no caso dos pacientes estudados, as alterações celulares e moleculares pareciam persistir muito além do período esperado, sugerindo um problema no processo de renovação ou sinalização celular após a infeção.
Alguns participantes apresentaram também desorganização estrutural nas papilas gustativas ao microscópio, o que pode contribuir ainda mais para a disfunção prolongada do paladar.
O estudo revela que os sabores doce, amargo e umami tendem a ser mais prejudicados porque dependem da proteína PLCβ2. Já os sabores salgado e ácido, que usam mecanismos diferentes, foram em geral menos afetados.
A maioria das pessoas recupera o paladar algumas semanas ou meses após a COVID‑19, mas uma minoria enfrenta uma recuperação muito mais lenta ou incompleta.
Estes resultados oferecem a primeira explicação biológica clara para casos de perda de sabor prolongada — algo que até agora era observado mas pouco compreendido.
Os investigadores dizem que agora é preciso estudar se estas alterações moleculares podem ser revertidas com tratamentos específicos e se intervenções terapêuticas podem ajudar pacientes com sintomas prolongados.
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