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A discoteca na Figueira da Foz que era uma fábrica de bonecas e que virou palco de noites inesquecíveis

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 1 mês atrás em 05-03-2026

Um vídeo divulgado nas redes sociais tem despertado enorme nostalgia e emoção ao mostrar o estado atual da antiga discoteca Pessidónio, um dos espaços noturnos mais icónicos da Figueira da Foz. Mas para além desta, existem outras que marcaram várias gerações.

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As imagens revelam um edifício completamente devoluto, vandalizado e marcado pelo abandono, onde antes se ouviam luzes, música e o clamor contagiante de milhares de jovens.

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Situado na cidade costeira, o Pessidónio abriu ao público no verão de 1969 e chegou a ser considerado um espaço único no panorama nacional de diversão noturna. Faziam-se filas à porta e foi aqui que António José Seguro conheceu a mulher. Durante décadas, atraiu multidões, foi palco de encontros, filas à porta e noites memoráveis que marcaram gerações de figueirenses e visitantes.

A discoteca era famosa não apenas pela música e dança, mas também pela sua atmosfera única e experiências sociais marcantes. Nos seus melhores anos, tornou‑se um verdadeiro ritual, onde se criavam memórias sem registos digitais — antes dos telemóveis e das redes sociais dominarem.

O contraste entre esses tempos e a degradação atual é chocante. Onde antes havia movimento e alegria, hoje restam paredes degradadas, silêncio e sinais de destruição. As imagens do vídeo têm provocado reações nas redes sociais, com antigos clientes a recordar encontros, amizades e episódios marcantes vividos no Pessidónio.

Hoje, o Pessidónio permanece como um símbolo de uma época que muitos recordam com saudade — um tempo de filas à porta, encontros inesperados e noites longas que ficaram para sempre na memória de quem lá viveu momentos inesquecíveis.

O sucesso da discoteca estava intimamente ligado à personalidade do proprietário, Ruy Montargil, antigo campeão de patinagem e piloto de automóveis, falecido em 2014, aos 96 anos. Montargil imprimia à discoteca uma filosofia própria: emprestava patins aos clientes para deslizarem ao som da música, assumia-se ora como porteiro rigoroso, ora como motorista que levava a casa, em horas decentes, filhos de amigos e clientes habituais.

O Pessidónio destacava-se pela arquitetura singular, que desafiava leis. Desenvolvia-se em cascata, com degraus, colunas revestidas a tecido felpudo, recantos à média ou pouca luz e um bar acessível por um escorrega de madeira — experiências únicas que transformavam a vida noturna da cidade.

Ainda na Figueira da Foz, destacou-se durante décadas como polo de diversão noturna, a Bergantim e a Flashen (entre outras) que enchiam durante o verão e fins de semana — embora hoje todas já estejam encerradas.

No final dos anos 1980, surgiu outro projeto marcante: a Amnistia, localizada num edifício que tinha sido uma fábrica de bonecas. Concebida de raiz pelo arquiteto Pedro Maurício Borges, a discoteca tornou-se uma referência arquitetónica, atraindo atenção de profissionais nacionais e estrangeiros, de Portugal ao Japão, recorda Carlos Lagoa, antigo sócio-gerente.

Durante cinco anos, às sextas-feiras, o espaço transbordava de gente até de manhã. A Amnistia impressionava com “jogos arquitetónicos”, como uma passarela elevada sobre a pista, degraus que continuavam pelo balcão do bar e casas de banho em tons de azul e rosa — detalhes que, por vezes, provocavam pequenos incidentes, mas nunca diminuíam o entusiasmo dos visitantes.

Hoje, tanto o Pessidónio como a Amnistia, Bergantim e a Flashen, entre outras, permanecem como símbolos de uma época em que a noite da Figueira da Foz era marcada por inovação, criatividade e memórias que perduram no imaginário de quem as viveu.

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