Um relatório fitossanitário encomendado pela Câmara de Coimbra concluiu que continuará a haver um risco elevado para árvores da rua Lourenço Almeida Azevedo, mesmo com a deslocação do canal do ‘metrobus’.
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Na segunda-feira, a presidente da Câmara, Ana Abrunhosa (PS/Livre/PAN), afirmou que serão abatidas pelo menos 20 árvores, ao contrário das 11 inicialmente previstas naquela artéria do centro da cidade, caso se avance com o afastamento do canal em cerca de 70 centímetros (se não houver alteração no traçado, o número de árvores removidas será superior).
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O relatório realizado em janeiro pelo Centro de Ecologia Funcional (CEF) e consultado hoje pela agência Lusa nota que, “mesmo com ripagem [deslocação] do canal, a preservação das árvores continua a envolver risco elevado se não forem rigorosamente respeitados afastamentos mínimos às raízes e procedimentos de obra adequados”.
A zona crítica das raízes das 12 árvores analisadas por este relatório técnico “está já limitada, pelo que novos cortes de raízes e compactação podem precipitar falhas estruturais (inclinação, queda) no curto/médio prazo”, concluiu o estudo, publicado esta semana na página do município.
Das 20 árvores a abater, cinco estão relacionadas com fragilidades estruturais identificadas por este relatório do CEF, explicou, na segunda-feira, Ana Abrunhosa.
Essas cinco árvores são todas identificadas no relatório como tendo risco elevado, mas outras cinco apresentam também risco “moderado a moderado elevado/elevado” e duas de apenas “moderado”.
O relatório afirma que a manutenção das outras sete árvores que poderão ser poupadas deve estar condicionada à implementação de “medidas de cuidados intensivos”, nomeadamente poda de compensação de copa, corte limpo de raízes, plano de rega e solo estrutural, com monitorização frequente e reavaliações periódicas dos exemplares.
“A via tecnicamente mais conservadora para as árvores passa pela adoção de uma solução de ripagem, associada a um protocolo rigoroso de proteção e gestão arbórea”, concluiu o estudo assinado pela docente do CEF Cristina Nabais.
O documento nota que todas as árvores apresentam diversas fragilidades, que, “em ausência de obra, seriam em grande parte mitigáveis com arboricultura especializada”, constatando-se também que a intervenção do ‘metrobus, ao implicar escavações, compactação de solos e infraestruturas que coincidem com zonas críticas das raízes põe em causa a estabilidade das árvores.
Nos exemplares de risco elevado, são identificadas feridas e fendas, raízes em risco, madeira degradada e raízes confinadas, entre outros problemas.
O abate de árvores na rua Lourenço Almeida Azevedo foi contestado no passado por cidadãos e partidos, quando o projeto já tinha sido revisto pelo anterior executivo, presidido por José Manuel Silva (numa coligação liderada pelo PSD), que tinha aprovado em reunião de Câmara, em 2023, uma revisão do projeto para aquela rua que reduzia o número de árvores a abater de 43 para 11.
Atualmente, 11 árvores já foram abatidas de um total previsto de 20.
Das 20, sete tinham sido identificadas em relatórios fitossanitários anteriores, cinco neste relatório do CEF, uma por estar seca e sete por incompatibilidade com o canal do ‘metrobus’.
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