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Prémios sem Bandeirinha

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Dois jurados de avaliação da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT) para atribuição de bolsas de Arquitetura, Urbanismo e Design contestaram a escolha do coordenador e demitiram-se, disse hoje à Lusa um dos ex-membros do painel.

No início de novembro, os arquitetos Francisco Barata Fernandes, Ana Cristina Tostões e José António Bandeirinha enviaram ao presidente da FCT, Miguel Seabra, uma exposição em que questionavam “os critérios de constituição” da equipa e “o entendimento das áreas temáticas”, mas, como não obtiveram resposta, acabaram por apresentar a demissão.

“Estranhamos que as nossas observações não tenham merecido comentário da parte de V. Ex.ª, uma vez que apresentámos alternativas e manifestámos inequívoca intenção de contribuir para o rigor, excelência e equidade de funcionamento do painel de avaliação”, afirmam Francisco Barata e António Bandeirinha, na segunda carta dirigida a Miguel Seabra, a que a agência Lusa teve hoje acesso.

Os ex-jurados, “muito lamentando a situação de falta de diálogo sobre matéria de avaliação científica ao mais alto nível”, decidiram recusar “o convite para integrar o painel de avaliação” de Arquitetura, Urbanismo e Design.

Os dois arquitetos ainda exprimiram “profunda preocupação com o fato de pela primeira vez a Faculdade de Arquitetura da UP e o Departamento de Arquitetura da UC não estarem presentes na avaliação das propostas de investigação na área de Arquitetura, Urbanismo e Design, em que nacional e internacionalmente se têm destacado”, o que não chegou a acontecer, pois os demissionários foram entretanto substituídos.

Já após a demissão, Francisco Barata e António Bandeirinha, professor e presidente do conselho científico da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto (UP) e professor da Universidade de Coimbra (UC), respetivamente, receberam uma carta do presidente da FCT “apresentando justificações de ordem diversa e lamentando” a sua decisão.

A coordenação do painel foi atribuída ao professor universitário Jorge Bastos, com formação académica na área da Engenharia Civil, cuja competência profissional Barata e Bandeirinha não põem em causa.

António Bandeirinha disse hoje à Lusa que o painel de Arquitetura, Urbanismo e Design “sempre foi coordenado por alguém da área da Arquitetura”, como Nuno Portas, Mário Krüger ou Francisco Barata.

“Corremos o risco de legitimar uma leitura de menorização da área específica da Arquitetura no campo da investigação e da ação universitária”, alertavam os três subscritores da primeira carta enviada a Miguel Seabra, incluindo Ana Tostões, que não se demitiu.

Por outro lado, “a representação no painel de convidados de fora de Lisboa era muito pouca”, segundo António Bandeirinha.

Numa nota enviada hoje à Lusa, a FCT esclarece que o presidente respondeu, a 04 de dezembro, “às questões e preocupações colocadas pelos investigadores referidos, lamentando a decisão tomada de não aceitarem o convite” para integrarem o painel de Arquitetura, Urbanismo e Design.

Citando a resposta de Miguel Seabra aos investigadores em causa, a nota salienta ter sido “determinado que, sempre que possível, a função de coordenador de cada painel fosse assumida por avaliadores que não tivessem exercido este papel em anos recentes”.

No painel de Arquitetura, Urbanismo e Design, foi seguida “a mesma regra adotada” para os restantes painéis.

A seleção dos membros de cada painel, “teve ainda em conta, sempre que possível, o equilíbrio de género, a diversidade institucional e a contemplação das diferentes etapas de carreira”, segundo a FCT.

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