Coimbra

Porque estão parados os trabalhos da residência de estudantes da Baixa de Coimbra?

António Alves | 25 minutos atrás em 20-01-2026

Empresa responsável refere que o ritmo dos trabalhos tem sido “inferior ao expectável, inicialmente”.

Onze meses depois do arranque dos trabalhos preparatórios de arqueologia da futura residência de estudantes na Rua das Nogueiras (junto à Loja do Cidadão) em Coimbra, estas encontram-se paradas há algum tempo.

O motivo, segundo a Fundbox S. A. – entidade gestora do fundo responsável pela intervenção naquela zona -, prende-se com “questões arqueológicas”. Na prática, foram encontradas estruturas arqueológicas durante a fase de sondagens, tendo sido necessário efetuar um estudo sobre essas edificações.

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Realizado esse estudo, a empresa necessitou de solicitar à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (CCDRC) – Unidade de Cultura e de Património Cultura, para o seu desmonte.

Esses trabalhos já foram autorizados, tendo sido também necessário pedir um novo Pedido de Autorização de Trabalhos Arqueológicos. Assim que este este documento para a fase de acompanhamentos arqueológico seja aprovado, “os trabalhos serão retomados”, refere o Fundbox.

Refira-se que o projeto prevê a criação de uma residência de estudantes naquela zona, conforme previsto no Documento Estratégico para a 1ª Unidade de Intervenção da Baixa de Coimbra.

Segundo a autarquia conimbricense, este edifício será integrado na área tampão do conjunto classificado como Património Mundial, designado por Universidade de Coimbra – Alta e Sofia.

Fonte do Gabinete da Presidência referiu ao Notícias de Coimbra que “este é um processo de reabilitação que, devido à sua localização, agrega a necessidade de pronúncia das entidades da tutela da área do Património”.

“Nesse sentido, foi determinado um conjunto de condicionantes de arqueologia, nomeadamente trabalhos prévios de sondagens de diagnóstico e escavações arqueológicas no subsolo, que foram desenvolvidas pelo promotor ao longo dos últimos meses”, dizem.

Estes trabalhos, como foi explicado, permitem “conhecer previamente o património que temos em presença e garantir, no mínimo, que garantimos o cumprimento do princípio da preservação pelo registo científico”. “Um conceito fundamental, especialmente quando a preservação física integral de um bem não é possível ou quando se trata de património arqueológico ou imaterial”, referem.

Trata-se de um espaço da cidade onde se desenvolveu “o Bairro das Olarias (que ali operou durante largos séculos) e, em particular, junto de onde terá funcionado a Real Fábrica da Telha Vidrada entre 1773 e 1790”.

Perante esta “história” do local, foi necessário “realizar trabalhos arqueológicos de caracterização e registo dos mesmos (fotos, desenhos, ortofotomapas, fotogrametria ou outras estratégias de registo adotadas pelos arqueológos responsáveis pelos trabalhos)”.

Por outro lado, “no início do mês de janeiro, deu-se a transição da responsabilidade científica dos trabalhos de arqueologia a levar a cabo, com a renúncia à direção dos trabalhos e posterior desvinculação da equipa de arqueologia responsável e o pedido de autorização para realização de trabalhos arqueológicos submetido por nova equipa, processo que se encontra em fase final de análise no Património Cultural, Instituto Público”.

“Assumimos como desígnio a reabilitação do nosso património e das nossas construções, em particular na Baixa da cidade, que reclama por atenção urgente, permanente e atenta. Assumimos que é desejável e possível fazê-lo com respeito pela nossa memória coletiva, pela nossa identidade e pelo nosso passado. O futuro de Coimbra constrói-se com respeito pela sua herança. O futuro da Baixa passa por intervenções como a que a Fundbox se encontra a levar a cabo neste local”, conclui o Gabinete da Presidência do município conimbricense.
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