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“Parece cenário de guerra”: Tempestade deixa supermercados a racionar água e comida

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 37 minutos atrás em 30-01-2026

Imagem: depositphotos.com

A passagem da depressão Kristin deixou um cenário de destruição em várias localidades dos distritos de Leiria e Coimbra, com falhas de energia, comunicações e acessos condicionados.

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Em algumas das zonas mais afetadas, os supermercados que começaram agora a reabrir estão a aceitar apenas pagamentos em dinheiro e a racionar bens essenciais, incluindo água engarrafada.

Em Paredes da Vitória, no concelho de Alcobaça, o racionamento tem permitido que ainda existam alguns produtos nas prateleiras. Rui Claro, familiar de moradores da região que se deslocou ao local para prestar apoio, descreveu a situação como crítica. “Estivemos cá na madrugada do temporal e percebemos que a devastação era enorme. Falta um pouco de tudo: água, luz, comunicações. Os supermercados só hoje começaram a reabrir, só aceitam dinheiro e estão a racionar bens essenciais, como garrafas de água”, afirmou à SIC.

Segundo o mesmo testemunho, a limitação na venda de produtos tem evitado a rutura total de stock. “Há pouca água, mas vai havendo porque está a ser racionada”, disse, acrescentando que também há constrangimentos no acesso a combustíveis. Rui Claro considera que a resposta foi tardia e descreve o cenário como “de guerra”, com autarquias e forças de segurança sobrecarregadas e meios insuficientes.

A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) confirmou constrangimentos pontuais no transporte de mercadorias e o encerramento temporário de seis supermercados pertencentes a associados nos concelhos de Leiria, Figueira da Foz e Marinha Grande, num universo de 41 lojas nessas zonas.

A associação adiantou que foram acionadas medidas para minimizar os impactos, com informação afixada nos estabelecimentos encerrados a encaminhar as populações para lojas alternativas em funcionamento. A APED sublinha que os constrangimentos são localizados e rejeita a existência de rutura na cadeia de abastecimento alimentar a nível nacional, garantindo que está salvaguardada a resposta às necessidades das populações.

Também a Associação Nacional de Freguesias (Anafre) revelou que mais de metade das freguesias dos distritos de Leiria e Coimbra registaram danos devido à tempestade. O presidente da Anafre, Jorge Veloso, reportou “muitos estragos” em habitações, empresas e áreas florestais, destacando o papel das juntas de freguesia na resposta de proximidade, apesar dos recursos limitados.