Vários dos partidos da oposição criticaram hoje, na Assembleia Municipal, a nomeação pela Câmara de Coimbra da ex-vereadora do Chega como gestora da escola profissional municipal, já a presidente da autarquia defendeu a escolha.
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Em tons distintos, vários dos grupos parlamentares que constituem a oposição da Assembleia Municipal de Coimbra criticaram a escolha de Maria Lencastre, que se desfiliou do Chega em janeiro e passou a independente, como gestora do Instituto Técnico Artístico e Profissional (ITAP).
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Iniciativa Liberal, CDS-PP, PSD, Nós, Cidadãos (partidos que integram a coligação Juntos Somos Coimbra, que liderou o município) acusaram a Câmara Municipal liderada por Ana Abrunhosa (PS/Livre/PAN) de uma escolha transacional, já que o executivo tem apenas cinco dos 11 vereadores (Maria Lencastre tem votado favoravelmente a esmagadora maioria das decisões).
Se Livre e PAN não abordaram a questão na Assembleia Municipal, Ana Abrunhosa defendeu a escolha, na sua intervenção, afirmando que Maria Lencastre é uma vereadora com “um comportamento correto e responsável”.
“É uma escolha e fá-la-ei e seremos positivamente surpreendidos”, disse a presidente da Câmara de Coimbra, recordando que para aquele tipo de lugares a confiança política “é determinante”, além da “capacidade de fazer”.
Ana Abrunhosa deu também indicação de que o município pretendia avançar com uma reforma no ITAP, querendo que esta escola possa trabalhar em rede “com Oliveira do Hospital e Arganil”.
O deputado do PSD Francisco Rodrigues recordou o “voto decisivo” em várias decisões do executivo por parte de Maria Lencastre, questionando os parceiros da coligação Avançar Coimbra se a ética “é circunstancial ou estrutural”.
“O silêncio torna-se particularmente eloquente”, notou, afirmando que, “quando a política se transforma num exercício de conveniência, quem perde é Coimbra”.
Já a deputada da Iniciativa Liberal, Ana Graveto, disse que houve falta de transparência no processo, que entendeu ser um caso de “degradação ética”, depois de ter apresentado uma moção pela “separação entre o exercício de cargos políticos e a administração de entidades do universo municipal”, em que era feita referência a Maria Lencastre, e que foi reprovada (dez a favor, 27 contra e 13 abstenções).
A CDU (PCP/PEV), pela voz de Manuel Pires da Rocha, deixou dúvidas quanto à escolha de Maria Lencastre, considerando que seria importante ter alguém que “conhece uma instituição de educação”.
“A confiança política não se constrói quando parece que os cargos públicos surgem como consequência de reposicionamentos políticos convenientes”, criticou, por seu turno, Lara Figueiredo, do Nós, Cidadãos, e o deputado do CDS-PP, Fernando Duque (que foi do Chega no anterior mandato), questionou os critérios objetivos que presidiram à escolha de Maria Lencastre.
Do lado do PS, Luís Silva disse que, no seu caso, “não tomaria esta decisão” de escolha de Maria Lencastre, mas vincou que a proximidade de gestão do executivo com entidades municipais “deve ser estratégica”, mostrando-se contra uma gestão “meramente técnica”.
Durante o período antes da ordem do dia, o Chega também não abordou esta questão, tendo apresentado propostas de recomendação para a isenção de derrama de IRS e IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) para casos de empresas e habitações afetadas pelo mau tempo, respetivamente, que foram aprovadas.
Maria Paixão, a deputada única do Bloco de Esquerda (partido que já tinha criticado a escolha), optou por contestar outras decisões recentes do executivo, nomeadamente a suspensão do PDM, a revogação do concurso de programador do Convento São Francisco e o projeto para a Estação Nova.
Para todos estes casos, a deputada acusou o executivo de falta de transparência e “pouco ou nenhum diálogo com cidadãos”.
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