Economia

Mulheres portuguesas poupam mais que os homens… mas não se sentem seguras financeiramente

Notícias de Coimbra | 1 hora atrás em 06-03-2026

As mulheres portuguesas demonstram maior disciplina na gestão financeira, mas sentem-se significativamente menos seguras quanto ao seu bem-estar económico.

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Os dados do European Consumer Payment Report 2025 Portugal (ECPR), divulgados pela Intrum, mostram que, apesar de 64% das mulheres afirmarem poupar todos os meses, apenas 62% afirmam sentirem-se confiantes em conseguir pagar as suas contas dentro dos prazos.

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Entre os homens, a taxa de poupança desce para 56%, mas a perceção de segurança sobe para 67%. A nível nacional, a confiança em conseguir pagar as contas dentro dos prazos recuou de 67% em 2024 para 65% em 2025. Por regiões, o Centro lidera com 70%, seguido do Norte com 67%. Madeira, Açores e Algarve registam 64%, valores muito próximos da média nacional. A Área Metropolitana de Lisboa apresenta 65%, em linha com o resultado do país. O Alentejo apresenta o nível de confiança mais baixo, ficando pelos 41%.

Esta é uma das principais conclusões do European Consumer Payment Report 2025 – Portugal (ECPR), divulgado pela Intrum, que analisa comportamentos financeiros e perceções de segurança económica em diferentes grupos da sociedade portuguesa.

Segundo o Diretor-Geral da Intrum, Luís Salvaterra, «a disparidade entre o comportamento financeiro e a perceção de estabilidade das mulheres é real. Elas são mais preventivas, mais poupadas e mais conscientes, isso significa também mais sentido de responsabilidade e menos segurança. Uma atitude cautelosa e que não pode ser vista como negativa.»

A pressão do aumento do custo de vida tem deixado marcas mais duradouras nas mulheres: 62% das portuguesas referem que as subidas dos últimos anos tiveram um impacto permanente no seu bem‑estar financeiro. Um valor praticamente em linha com a média nacional e com o observado nas respostas dos homens. No entanto, esta sensação prolongada de desgaste financeiro traduz-se também em maiores níveis de ansiedade económica para as mulheres: 53% dizem sentir stress ou angústia ao acompanhar notícias sobre a economia, valor claramente superior ao verificado entre os homens (41%).

Para além da poupança, as mulheres mostram uma forte preocupação com a segurança futura:  64% afirmam estar a constituir um fundo de emergência para se prevenirem contra uma eventual quebra de rendimento, um hábito que se revela mais presente entre elas do que entre os homens (56%). No entanto, esta postura preventiva não se traduz numa maior capacidade de resposta imediata a imprevistos. Apenas 54% das mulheres portuguesas conseguem fazer face a uma despesa inesperada de 400 euros, valor significativamente inferior ao dos homens (61%).

Este contraste evidencia que, apesar da disciplina e do planeamento, as mulheres continuam a dispor de uma margem de manobra económica mais reduzida, o que fragiliza tanto a estabilidade presente como a segurança futura.

Num contexto internacional, Portugal surge na penúltima posição entre os vinte países analisados, com 58% dos inquiridos a afirmarem que conseguem suportar um custo inesperado de 400 euros — apenas ultrapassado pela República Checa (55%). No extremo oposto, a Noruega lidera o ranking, com 88% a declararem ter a capacidade cobrir um custo inesperado de 400 €.

Apesar das expectativas sociais que frequentemente recaem sobre as mulheres, são elas as que mais restringem os gastos associados à vida social. O ECPR 2025 revela que apenas 46% das mulheres portuguesas dizem gastar dinheiro em atividades como comprar presentes, participar em eventos ou manter interações sociais, contra 49% dos homens. Esta diferença sugere que as mulheres tendem a abdicar mais facilmente deste tipo de despesa, não por falta de interesse, mas por maior contenção financeira. Os dados reforçam a ideia de que a desigualdade económica tem também implicações na vida social e emocional das mulheres.

Para a Intrum, o Dia Internacional da Mulher deve ser um momento para alertar para as disparidades existentes entre homens e mulheres. Falar de igualdade financeira é falar de liberdade e de autonomia real. As mulheres devem ter rendimentos justos, mas também sentir segurança, estabilidade e confiança para gerir o seu futuro. A Intrum continuará a contribuir com dados e com soluções que promovam uma maior literacia e inclusão financeira.

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