Governo
Mau tempo: Governo admite libertar trabalhadores de obras públicas para intervenções urgentes
O Governo admitiu hoje a possibilidade de libertar trabalhadores de obras públicas que, por sua vontade, estejam disponíveis para prestar serviço nas localidades mais afetadas pelo mau tempo.
“O Estado dará também uma contribuição. Estamos disponíveis para suspender algumas obras que temos sobre a nossa responsabilidade, se as empresas e os trabalhadores dessas obras estiverem disponíveis para ir prestar serviço nessas localidades”, anunciou o primeiro-ministro, Luís Montenegro, numa comunicação ao país, a partir de S. Bento, em Lisboa.
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Antes, Montenegro já tinha avançado que o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) vai iniciar a recolha das necessidades de mão-de-obra junto das empresas de construção civil e das autarquias locais.
O IEFP, que se vai juntar à estrutura de missão que já está no terreno, vai utilizar a sua rede para recrutar em Portugal, mas também o canal para a imigração regulada, de modo a colocar, rapidamente, mão-de-obra junto das regiões mais atingidas pelo mau tempo.
O primeiro-ministro disse ainda ter recebido a informação de várias empresas que não precisam de mais trabalhadores, mas sim de agilidade nos procedimentos e de coordenação, no sentido de serem encaminhadas para os locais onde as tarefas necessárias são mais imediatas.
Luís Montenegro precisou que estas tarefas não são apenas de construção, mas também de contenção do edificado.
Aqui incluem-se, por exemplo, casas que se não tiverem uma primeira intervenção para que deixe de chover no seu interior, terão o seu prejuízo aumentado.
Ainda assim, o primeiro-ministro disse não excluir que possam existir outras empresas com necessidades de mão-de-obra imediata para avançarem com obras nas regiões afetadas.
Doze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até 15 de fevereiro, abrangendo 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 de fevereiro para 68 concelhos, voltando hoje a ser prolongada até 15 de fevereiro.