Saúde
Já todos ouvimos. Beber urina em situação de emergência pode salvar a sua vida?
Imagem: depositphotos.com
O aventureiro televisivo Bear Grylls construiu fama mundial através das suas ousadas e muitas vezes extremas façanhas de sobrevivência. Entre elas, ingerir a própria urina, espremer humidade de fezes de elefante ou beber o conteúdo dos intestinos de camelo. Grylls defende este método como seguro em cenários de emergência, explicando que urinar no chão seria um desperdício de líquidos.
Mas será que esta prática é realmente segura? Especialistas alertam que a resposta é complexa. A urina é composta cerca de 95% de água, mas também contém ureia, creatinina, sais e proteínas, resíduos que os rins pretendem eliminar do corpo. Beber urina em situação de sobrevivência pode, na verdade, aumentar a concentração desses resíduos no organismo, tornando-os potencialmente tóxicos, pode ler-se na Science Alert.
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O corpo humano filtra diariamente cerca de 180 litros de plasma através dos rins, reabsorvendo 99% das substâncias úteis e eliminando o resto na urina — o chamado “lixo fisiológico”. Em situações de desidratação extrema, a urina torna-se ainda mais concentrada, aumentando os níveis de resíduos metabólicos. Isto pode levar a uremia, uma condição potencialmente fatal que provoca vómitos, cãibras musculares, alterações do nível de consciência e danos celulares.
Outro risco importante é a presença de bactérias no trato urinário. Embora a urina que sai dos rins seja estéril, ao passar pela bexiga e uretra pode recolher microrganismos. Ingerir este líquido em condições de sobrevivência, quando o corpo está enfraquecido, aumenta o risco de infeções graves.
Em resumo, beber a própria urina pode fornecer algum grau de hidratação em casos muito específicos, mas não é uma prática segura e deve ser evitada sempre que possível. Especialistas aconselham que métodos alternativos de recolha de água, como a filtragem de água da chuva ou de fontes naturais, são muito mais eficazes e menos perigosos.
Bear Grylls pode ter feito da urina uma “arma” de sobrevivência televisiva, mas na vida real, esta prática é comparável a beber água do lixo.
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