A Associação Portuguesa das Indústrias de Cerâmica e Cristaleira (APICER) diz que se o conflito no Médio Oriente ultrapassar quatro semanas “é impossível” manter os mesmos preços de mercado, defendendo medidas de apoio.
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“Admito que com quatro semanas o setor consiga encaixar e aguentar sem transmitir ao mercado estes aumentos de preços e, portanto, toda a cadeia de valor vai encaixar este custo adicional. Ultrapassado esse tempo, é impossível que as empresas consigam manter os mesmos preços de mercado”, alertou à Lusa o vice-presidente da APICER, realçando que “a situação é mais grave” perante a concorrência de produtos vindos da China ou da Índia.
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Segundo Paulo Almeida, o setor é “altamente dependente do gás natural” para os seus processos, sendo que a cadeia de valor também é “toda ela muito dependente do preço” daquele recurso.
O responsável notou que o custo do gás “praticamente está a duplicar” em relação ao período anterior ao conflito e, se atender-se “a uma percentagem de incorporação de gás na casa dos 30% em média no setor”, está a falar-se “de muito dinheiro”.
“Torna-se completamente inviável e todas as margens são absorvidas por este aumento”, disse.
De acordo com Paulo Almeida, este aumento terá um duplo impacto, uma vez que “as formas de determinar o custo da eletricidade na Europa são o custo marginal dos ciclos combinados, que estão completamente indexados ao preço do gás natural, e aquilo que vamos assistir é diretamente a um aumento proporcional na eletricidade”.
Questionado sobre a forma como a indústria se está a preparar, o responsável adiantou que “há algumas empresas que conseguiram ter o gás fixado por algum tempo”, mas o “grande problema” é que isso não acontece ao longo da cadeia de valor, com aumentos esperados, por exemplo, nas embalagens de cartão ou dos vidros, que terão de ser refletidos no mercado.
“A partir desse momento, não temos outra solução senão ir para o mercado e tentar repercutir esses custos no mercado, sob pena de podermos entrar num caminho que é o caminho da não viabilidade económica”, sustentou.
A APICER defende que “sejam criadas medidas de apoio a alguma estabilidade no preço do gás natural para apoiar as empresas nesta fase” e que o Governo “deve subsidiar o consumo de gases renováveis”, ajudando, por um lado, na descarbonização, e, por outro, a deixar “de ter este impacto tão direto do gás natural”.
“Numa terceira fase, porque subsidiando o consumo, vai criar o mercado de biometano e de hidrogénio, e os investidores vão se sentir muito mais confortáveis para investir porque têm mercado”, acrescentou Paulo Almeida.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, tendo matado durante a ofensiva o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo do país desde 1989.
O Conselho de Liderança Iraniano assume atualmente a direção o país.
O Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques de retaliação contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque. Incidentes com projéteis iranianos também foram registados em Chipre e na Turquia.
Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos.
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