O excesso de peso (incluindo a obesidade) continua a assumir um papel crescente na saúde dos portugueses, estando entre os principais determinantes da perda de anos de vida saudável e da
mortalidade em Portugal.
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De acordo com os dados mais recentes (2023) do Global Burden of Disease Study (GBD), hoje divulgados pela Direção-Geral da Saúde (DGS), o excesso de peso ocupa a 2.ª posição entre os fatores que mais contribuem para os anos de vida saudável perdidos, e a 3.ª posição entre os que mais contribuem para o total de mortes.
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Quando considerados apenas os fatores de risco comportamentais, os hábitos alimentares inadequados surgem nas primeiras posições, reforçando o impacto da alimentação na saúde. O GBD Study é um estudo internacional que recolhe informação proveniente de 204 países, cujo objetivo é fornecer informações sobre as doenças e os fatores de risco que mais contribuem para a mortalidade e para a perda de anos de vida saudável. O estudo é coordenado pelo Institute for Health Metrics and Evaluation da Universidade de Washington e conta com a colaboração da DGS.
Para além da alimentação inadequada e do excesso de peso, fatores metabólicos como a glicose plasmática elevada e a hipertensão arterial, muitas vezes associados aos padrões alimentares, estão entre os principais responsáveis pelo desenvolvimento de doenças como diabetes neoplasias e doenças cardiovasculares e renais em Portugal.
O estudo permite, também, analisar as tendências de evolução ao longo das últimas décadas (de 1990 a 2023) e perceber que o excesso de peso, incluindo a obesidade, foi o fator de risco com maior tendência de crescimento quanto à sua contribuição para da carga da doença em Portugal, contrariamente à tendência de diminuição observada para quase todos os outros fatores de risco. Nestes últimos 20 anos verificou-se um aumento de 23% no contributo do excesso de peso para a perda de anos de vida saudável e de 22% para o total de mortes associadas ao IMC elevado. Ainda assim, o ritmo de crescimento abrandou na última década (2010-2023).
Relativamente aos hábitos alimentares, o elevado consumo carne vermelha, carnes processadas e sal, bem como com o insuficiente consumo de cereais integrais, hortícolas e frutos oleaginosos, foram os comportamentos alimentares inadequados que mais contribuíram para que os portugueses vivessem menos anos com saúde, no ano de 2023.
No Dia Mundial da Obesidade, hoje assinalado, a DGS publica o “Manual de Mudança Comportamental no Tratamento da Obesidade”, que reúne estratégias estruturadas para apoiar a mudança de comportamentos alimentares e de atividade física. O Manual inclui ferramentas práticas dirigidas a serviços e profissionais de saúde, nomeadamente guias de aconselhamento e ferramentas de automonitorização comportamental. Este documento dá resposta ao Roteiro de Ação para Acelerar a Ações de Prevenção e ao Controlo da Obesidade e ao Percurso de Cuidados Integrados para a Pessoa com Obesidade, publicados pela DGS em 2025.
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