O espetáculo em homenagem ao centenário de Carlos Paredes, que tem levado a guitarra de Coimbra para diferentes países ao redor do mundo, fará a sua última apresentação em Portugal em fevereiro, no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV).
O concerto “100Paredes” terá lugar no dia 10 de fevereiro, no TAGV, em Coimbra, para encerrar em território nacional a ‘world tour’ Paredes Experience, uma iniciativa apoiada pelo Governo português e pela Universidade de Coimbra (UC), entre outros, que pretende prestar uma homenagem aos 100 anos do músico português.
Após passar por 23 municípios de Portugal e mais de uma dezena de países, o espetáculo chega ao palco em Coimbra com os convidados Camané, Mário Laginha e Zeca Medeiros, direção artística de André Varandas e Bruno Costa, e diferentes artistas.
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Na apresentação da iniciativa, hoje de manhã, em Coimbra, André Varandas referiu tratar-se de um concerto muito dinâmico, que tem como um dos pilares a criação artística sociocomunitária, onde a obra de Carlos Paredes e o espetáculo concebido se misturam com outras disciplinas artísticas dos territórios.
“Em cada país foi um espetáculo diferente”, demonstrando a universalidade do próprio instrumento, que se tornou um protagonista na canção pelas mãos de Carlos Paredes, defendeu.
A criação “não foi uma encomenda”.
“Foi uma iniciativa da sociedade civil, de dois artistas de Coimbra, que criaram e transformaram algo em produto artístico, cultural, e levaram para o mundo”, disse o diretor artístico e músico.
Ao longo de um ano, a guitarra de Coimbra, sobre a obra de Carlos Paredes, uniu-se a diferentes instrumentos, géneros musicais e culturas artísticas locais, como em Buenos Aires, na Argentina, onde os músicos contracenaram com dançarinos de tango.
No dia 10 de fevereiro, os espetadores terão a oportunidade presenciar, em palco, a sonoridade da guitarra portuguesa, pelas mãos de Bruno Costa, e da guitarra clássica, através de Nuno Miguel Botelho, além de André Varandas ao piano, numa orquestra dirigida por Artur Pinho Maria.
Com textos de Carlos Clara Gomes e coreografia de Rita Grade, em palco estarão também o Coro da Escola de Música São Teotónio, o Coro dos Antigas Orfeonistas da UC, a Escola de Dança Rita Grade, a Coimbra New Orquestra, além de atores e músicos.
Para o diretor do TAGV, Sílvio Correia Santos, este é “um projeto artístico de grande fôlego, que revisita e relê o legado de uma figura que é absolutamente única na música portuguesa e que tem uma ligação evidente à Coimbra”.
Já o vice-reitor da UC para a Cultura, Comunicação e Ciência Aberta, Delfim Leão, pontuou tratar-se de “uma produção que nasceu em Coimbra, com artistas ligados à produção artística da cidade”, e que alcançou o estrangeiro.
O responsável salientou como o projeto realça a capacidade de a guitarra se combinar com outras possibilidades, “sem abdicar do rigor da execução”, realçando que a reitoria tem procurado estimular essa união.
Bruno Costa aproveitou a ocasião para realçar que este é um momento musical que leva ao palco “a guitarra portuguesa [no estilo] que Carlos Paredes tocava”, aprendida em Coimbra, detentora de “um estilo muito próprio”.
O guitarrista, entretanto, alertou que “há um trabalho a fazer de divulgação do instrumento”, de apoio às escolas e associações, para que o objeto musical e o seu estilo único não morram.
No dia 10 de fevereiro, será também lançada e entregue a primeira edição (limitada a 100 unidades) de um LP dedicado a Paredes, “gravado no estúdio onde sempre Carlos Paredes gravou”, com a própria guitarra do artista, cedida pelo Museu Municipal de Coimbra, adiantou Varandas.
Será também o lançamento oficial para a segunda edição, que vai ser comercial, do LP.
A exposição itinerante que acompanhou toda a ‘tour’, com cerca de 20 registos fotográficos de “tudo que se foi fazendo” em Portugal e no mundo, também estará patente.
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