A Bluepharma vai abrir, em Coimbra, uma nova unidade fabril de medicamentos injetáveis complexos ligados à terapia génica, que resulta de uma agenda mobilizadora e aposta crescente na inovação da farmacêutica portuguesa, disse fonte empresarial.
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A nova unidade, prevista para começar a funcionar em abril, resulta de um consórcio de dez entidades, liderado pela farmacêutica sediada em São Martinho do Bispo, que reúne, entre outros, a Universidade de Coimbra e várias empresas internacionais.
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“A área da terapia génica [que passa pela substituição de um gene defeituoso, que causa doenças, por um gene saudável] é a mais avançada que hoje a ciência disponibiliza a nível mundial, isto sim é o futuro”, disse à agência Lusa o fundador e presidente do conselho de administração da Bluepharma Paulo Barradas Rebelo.
Depois de ter criado, em 2023, na freguesia de Eiras, a norte da cidade de Coimbra, uma fábrica de injetáveis complexos, medicamentos de alta potência, a Bluepharma concretiza agora, no mesmo local, mais um investimento ligado à área das terapias avançadas, sem revelar o montante envolvido.
O presidente da farmacêutica fundada em 2001 notou que a empresa que lidera apostou sempre numa agenda mobilizadora e de estabelecimento de relações de confiança entre parceiros, iniciada “há mais de 25 anos”, ainda antes do surgimento da Bluepharma.
“Somos uma empresa em que os valores da parceria e da partilha são muito importantes”, notou Paulo Barradas Rebelo.
Lembrou que a Bluepharma surgiu há 25 anos no movimento dos medicamentos genéricos, que classificou como “uma área de responsabilidade social, que traz muita vantagem ao sistema de saúde e aos utentes”.
“Permite ao país exportar, permite ao país ser mais autónomo numa área tão sensível como a do medicamento. Fomos sempre avançando no projeto, tendo sempre presente que, se não tivéssemos a capacidade de inovar, iria ser cada vez mais difícil, porque organização que não inova, morre”, vincou.
Paulo Barradas Rebelo sublinhou ainda que um dos objetivos dos projetos em curso envolvendo a Bluepharma passa por “acelerar a reindustrialização da Europa”, envolvendo, nesse desígnio, a captação de novos investimentos, aproveitando a “boa imagem” da farmacêutica “na área da saúde no mercado europeu” e contrariar a fuga de profissionais qualificados para o estrangeiro.
Notando a importância do capital humano na Bluepharma, Paulo Barradas Rebelo disse ainda que, recentemente, a farmacêutica portuguesa foi certificada em conciliação familiar e laboral, pela fundação espanhola Mais Família, uma certificação internacional que visa ajudar as empresas a equilibrar a vida pessoal, familiar e laboral dos seus colaboradores, fomentando a igualdade e a flexibilidade.
Com investimentos em São Martinho do Bispo, com a compra da antiga Bayer, Taveiro, Eiras e Cernache – onde avançou para a criação do Portugal Life Science Park, um ecossistema integrado de investigação, biotecnologia e produção farmacêutica – a Bluepharma está presente em quatro localizações que rodeiam a cidade de Coimbra, onde emprega, atualmente, cerca de 700 colaboradores.
A empresa portuguesa exporta para mais de 40 países, 90% da sua produção: “Se não exportássemos, conseguiríamos abastecer metade das necessidades do país de medicamentos genéricos”, contabilizou Barradas Rebelo.
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