Coimbra

Ana Abrunhosa afirma que seria “impensável” alterar rota do ‘metrobus’ para salvar árvores em Coimbra

Notícias de Coimbra com Lusa | 34 minutos atrás em 06-03-2026

A presidente da Câmara de Coimbra afirmou hoje que “era impensável” alterar a rota e projeto do ‘metrobus’ para tentar salvar árvores na rua Lourenço Almeida Azevedo, em que os abates foram contestados no passado.

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“O executivo tem de decidir quando tem de decidir e, por muita participação que queiramos ter, nós temos de decidir. No caso da obra do ‘metrobus’, era impensável alterar a rota, era impensável alterar o projeto”, afirmou Ana Abrunhosa (PS/Livre/PAN), que falava na Assembleia Municipal, depois de ter sido abordada a questão do abate de 20 árvores na rua Lourenço Almeida Azevedo, por causa do traçado do Sistema de Mobilidade do Mondego (autocarros elétricos em canal dedicado).

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Apesar disso, a presidente da Câmara de Coimbra admitiu que o executivo poderia ter feito “uma discussão mais ampla e alargada” em torno do abate de árvores previsto para aquela rua, onde estava previsto, anteriormente, a remoção de 11 exemplares.

“Não poderíamos pôr em causa o projeto, que é um projeto que vem de trás e que traz desenvolvimento para a cidade”, vincou, referindo que é necessário pensar o concelho para as alterações climáticas e torná-lo “mais resiliente e adaptado à mudança”.

Ana Abrunhosa afirmou que em novembro, numa reunião com a Infraestruturas de Portugal (IP), que é a dona de obra, a proposta de abate em cima da mesa implicava muito mais exemplares, nomeadamente a maioria das árvores junto ao Jardim da Sereia, avançando com uma solução de deslocação de 70 centímetros do troço do canal para evitar maiores perdas.

Ricardo Lopes, do PSD, salientou que, quando estavam em causa apenas 11 árvores, no anterior mandato (em que o executivo era composto por uma coligação de direita), surgiram “petições, protestos e quase o derrubar da torre da Universidade” por causa dos abates.

“Pede-se coerência”, defendeu, acusando parceiros da coligação de amenizarem as suas posições – Livre, PAN e Cidadãos por Coimbra (CpC), que marcaram presença numa manifestação antes das eleições.

O deputado municipal do PAN João Fontes da Costa considerou que “o problema não é o número de árvores abatidas, mas a forma como a IP age em Coimbra”, considerando que o atual executivo obrigou a IP “a reformular, mas ainda não o suficiente”.

“Senhora presidente da Câmara, não deixe que a situação se repita [em futuras expansões do ‘metrobus’]”, pediu o deputado.

Também Graça Simões, do CpC, entendeu que o abate de 20 árvores previsto é “um triste desfecho que levará anos a sarar”, considerando que o projeto do ‘metrobus’ avançou “sobre a cidade com opacidade e arrogância”.

“Agora, é preciso plantar […] e cuidar das árvores que ficam”, defendeu, numa intervenção em que propôs um plano de arborização para o concelho.

Já Maria Paixão, do Bloco de Esquerda, afirmou que alguns cidadãos preocupados com os abates foram convocados “para uma reunião” com o município, em que a decisão já estava tomada e que seria comunicada umas horas depois.

“A democracia está a ficar para trás”, lamentou.

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