Portugal

Programa Operacional do Centro destinou zero euros à agricultura

Notícias de Coimbra com Lusa | 2 horas atrás em 06-03-2026

O ministro da Agricultura revelou hoje que o Programa Operacional Regional do Centro 2021-2017 destinou zero euros à agricultura, numa dotação total entre 2.100 e 2.200 milhões de euros.

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Intervindo na sessão de encerramento do 18.º seminário da cooperativa agrícola do concelho de Montemor-o-Velho, no distrito de Coimbra, José Manuel Fernandes elaborou um exercício sobre o que pensam autarcas e entidades decisórias regionais sobre a agricultura enquanto setor estratégico e estruturante, constatando que todos a classificam como tal.

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“E se eu perguntar desses 2.100 milhões de euros para 2021 a 2027, quanto é que dedicaram à agricultura, sabem quanto é que dedicaram? Zero, zero”, exclamou José Manuel Fernandes, suscitando ruído nas cerca de 200 pessoas presentes.

“E, portanto, no próximo quadro financeiro plurianual [2028-2034] e na possibilidade de termos um fundo único, é importante termos projetos que sejam, inclusivamente, supramunicipais”, defendeu o governante.

José Manuel Fernandes garantiu que irá estar “muito atento” ao desenvolvimento do próximo programa operacional regional de apoio, caso ainda seja ministro, ou, como se classificou, esteja ministro.

“Eu não sou ministro, eu estou a ministro. E, enquanto aqui estiver, estou a executar uma missão. E, se eu aqui estiver, claro que vou olhar para as comunidades intermunicipais, e vou-lhes perguntar, afinal, quanto é que dedicaram para esta atividade que é estratégica, que é estruturante, que é coesão, que é competitividade, que é investigação, vou-lhes perguntar”, asseverou.

Numa intervenção de 25 minutos em que tocou vários temas da política agrícola e da atividade governamental no apoio ao setor, José Manuel Fernandes frisou que Portugal tem de simplificar as medidas de ajuda, criticando a burocracia nacional.

“Nós temos demasiados burocratas e empatas (…) Não se pode demorar as eternidades que nós demoramos para aprovar candidaturas e passar por não sei quantas entidades para se aprovar algo que até é simples”, frisou o ministro.

Já sobre a renovação geracional necessária na agricultura portuguesa – cuja média de idade atual cifrou em 64 anos – José Manuel Fernandes lembrou que os agricultores “recebem cerca de 40% abaixo da média das outras profissões. Enquanto isto estiver assim, dificilmente temos a renovação geracional que aqui foi falada”, observou.

Anunciou que o Governo destinou 243 milhões de euros para a renovação geracional, classificando-a como “um choque que é preciso” e afirmando esperar que esse montante “seja muito bem investido”.

Para a renovação da agricultura, o ministro argumentou que Portugal tem de mostrar os bons exemplos que possui: “A agricultura tem de ser cada vez mais moderna, como é que se vai atrair um jovem se cada vez que se fala da agricultura ou é porque há uma manifestação, ou há uma seca ou uma inundação”, questionou.

Assegurando que o país tem de demonstrar a importância do setor agrícola a todos os níveis, recusou, entre outros exemplos, a forma como o agricultor é retratado nos livros escolares.

“Não posso aceitar que apresentem o agricultor de sachola na mão ou então como o vilão que é o grande culpado do ambiente e das alterações climáticas, quando o que pretendem é a sustentabilidade da sua terra e de passar a sua exploração para as gerações futuras”, frisou José Manuel Fernandes.

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