Economia

Ministro da Agricultura acusa banca de privilegiar quem tem menos risco

Notícias de Coimbra com Lusa | 52 minutos atrás em 06-03-2026

 O ministro da Agricultura acusou hoje a banca de privilegiar, na concessão de crédito, os lesados pelas intempéries que apresentam menos risco, apesar da garantia estatal de 80%, situação inaceitável na sua opinião.

PUBLICIDADE

“Há aqui uma coisa que eu oiço e não estou a gostar (…) umas empresas agrícolas têm mais risco [e] o que a banca está a fazer, ainda que tenha uma garantia de 80% do Orçamento do Estado, está a emprestar primeiro a quem tem menos risco”, revelou José Manuel Fernandes.

PUBLICIDADE

A situação, esclareceu o governante, incide sobre empresas agrícolas que sofreram danos acima dos 10 mil euros nas tempestades das últimas semanas e que, além dos prejuízos sofridos, vivem com dificuldades de tesouraria.

“Ora, o nosso objetivo é o de ajudar todos e, sobretudo, aqueles que tiveram prejuízos. Isto está a acontecer e teremos de rever e olhar para esta situação”, frisou o governante, numa intervenção hoje no encerramento do 18.º seminário da cooperativa agrícola de Montemor-o-Velho, no distrito de Coimbra.

Ouvido pela agência Lusa à margem da sessão, José Manuel Fernandes deu como exemplo os suinicultores da região de Leiria: “Não estão a ter acesso às linhas de crédito, isso é inaceitável. E ainda que o Governo dê uma garantia de 80%, a banca não os está a apoiar, porque está a considerá-los de maior risco, e está a privilegiar aqueles que têm menor risco. Quando o objetivo que o Governo tem é de apoiar aqueles que mais precisam e que haja urgência na reposição do potencial produtivo”, argumentou.

A situação, esclareceu o governante, incide sobre empresas agrícolas que sofreram danos acima dos 10 mil euros nas tempestades das últimas semanas e que, além dos prejuízos sofridos, vivem com dificuldades de tesouraria.

“É uma injustiça. A garantia que foi dada de 80% deve ser utilizada também para aquelas empresas que têm menos rendimentos, que são as empresas agrícolas, e que não devem ser, no fundo, desprezadas e colocadas no fim, depois de os outros estarem atendidos”, vincou José Manuel Fernandes.

O ministro da Agricultura disse ainda que a atual fase, após as tempestades e cheias das últimas semanas, é a fase da recuperação, que é urgente, notou.

“Há que ter alguma paciência, mas há urgências que são maiores do que outras. A urgência, por exemplo, de ter os canais com água para não se perder esta campanha [de 2026] no que diz respeito ao arroz é superior às outras”, enfatizou José Manuel Fernandes.

Se no caso do Baixo Mondego e da reposição do canal de rega o governante manteve o dia 01 de maio, data anunciada pela Agência Portuguesa do Ambiente, para a obra estar concluída, já no que respeita às infraestruturas detidas pelas associações de regantes, José Manuel Fernandes anunciou a abertura de um concurso, no valor de 20 milhões de euros, na próxima semana, com essa finalidade.

PUBLICIDADE