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Irão: Guterres alerta que situação pode sair do controlo e pede negociações sérias

Notícias de Coimbra com Lusa | 56 minutos atrás em 06-03-2026

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou hoje que o conflito no Médio Oriente “pode sair do controlo de qualquer pessoa”, considerando ser tempo de parar os combates e iniciar negociações diplomáticas sérias.

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“Todos os ataques ilegais no Médio Oriente e noutras regiões estão a causar imenso sofrimento e danos a civis em toda a região e representam um grave risco para a economia global, particularmente para as pessoas mais vulneráveis”, afirmou hoje o porta-voz de Guterres, Stéphane Dujarric.

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Numa conferência de imprensa na sede da ONU em Nova Iorque, e falando em nome de Guterres, Dujarric avisou que a “situação pode sair do controlo de qualquer pessoa” e salientou que as “consequências não podiam ser mais graves”.

“É tempo de parar os combates e iniciar negociações diplomáticas sérias”, insistiu, referindo-se aos combates entre os Estados Unidos, Israel e Irão, em curso desde sábado e que já se alastraram a outros países da região.

Questionado sobre como é que a situação poderia ficar ainda mais fora de controlo, o porta-voz de Guterres afirmou “não ser preciso muita imaginação para ver como a situação pode piorar ainda mais”.

Dujarric referiu ameaças à unidade de Estados-membros, o sofrimento contínuo dos civis, e também a deterioração da situação em torno do Estreito de Ormuz – por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial – e o impacto que isso terá globalmente.

“Estamos já a assistir a um aumento dos preços do petróleo e ao impacto que isso terá, dada a nossa contínua dependência dos combustíveis fósseis. (…) Só podemos imaginar o aumento dos preços da energia, nos transportes, na produção de alimentos, nos fertilizantes. Infelizmente, a situação pode piorar muito”, assegurou, argumentando que a única forma de resolver esta escalada é através de negociações.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar contra o Irão, alegadamente motivado pela inflexibilidade do seu regime político nas negociações sobre o enriquecimento de urânio, no âmbito do seu programa nuclear, que afirmavam destinar-se apenas a fins civis.

Em retaliação, o Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.

Incidentes com projéteis iranianos foram também registados em Chipre e na Turquia.

Desde o início do conflito, foram contabilizados mais de mil mortos, na maioria iranianos.

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