E com o Dia Internacional da Mulher à aproximar-se (8 de março), cinco rostos destacaram-se e merecem reconhecimento pelo seu percurso.
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Maria Botelho Moniz, Rebeca Caldeira, Marlene Vieira, Ana Abrunhosa e Tânia Laranjo sobressaíram pelo trabalho, dedicação e impacto nas respetivas áreas e, por isso a revista Nova Gente entrevistou estas cinco mulheres. Entre elas está a presidente da Câmara Municipal de Coimbra que enfrentou as mais recentes cheias e que defende um papel de igualdade nas mulheres, mas que “apesar das conquistas, ainda há caminho para fazer no sentido de assegurarmos que as desigualdades que persistem exigem compromisso diário, e não apenas simbólico”, afirma.
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A autarca conimbricense considera que a data tem um papel essencial porque traz visibilidade a contributos muitas vezes ignorados. “Torna visível aquilo que muitas vezes é invisível: o contributo das mulheres na sociedade, na economia, na ciência, na política e nas famílias. É também um dia que nos lembra que os direitos conquistados nunca estão definitivamente garantidos.”
Apesar dos avanços registados nas últimas décadas, Ana Abrunhosa acredita que a celebração continua a ser necessária. “Infelizmente, ainda faz sentido. Enquanto existirem desigualdades salariais, menor representação em cargos de decisão ou maior sobrecarga familiar sobre as mulheres, este dia continua a ser necessário, não como comemoração, mas como alerta coletivo.”
Ao longo da sua carreira, admite que não sentiu obstáculos explícitos por ser mulher, mas reconhece que existe uma realidade muitas vezes silenciosa: “Muitas vezes as mulheres têm de provar mais, trabalhar mais e demonstrar continuamente a sua competência. Isso é algo que muitas mulheres reconhecem.”
Entre as suas maiores preocupações está o futuro das novas gerações. “A igualdade de oportunidades para as gerações mais novas é fundamental. Preocupa-me que as meninas ainda cresçam com expectativas diferentes sobre aquilo que podem ou não alcançar.”
Conciliar vida profissional e familiar é outro desafio que conhece bem. “Como tantas mulheres, faço essa gestão com um equilíbrio imperfeito. Não existe fórmula mágica. Existe organização, apoio familiar e a consciência de que nem sempre conseguimos estar em todo o lado e isso também faz parte da vida”, disse a autarca.
No que diz respeito à política, defende que a mudança passa sobretudo por transformar mentalidades: “Liderança não tem género. É preciso continuar a mudar culturas e não apenas regras. A política ainda valoriza demasiado modelos de liderança tradicionalmente associados ao masculino, mais competitivos e menos colaborativos.”
Para Ana Abrunhosa, a verdadeira igualdade chegará quando o mérito e a competência forem os únicos critérios. “Quando a política refletir verdadeiramente a diversidade da sociedade, estaremos mais próximos de uma democracia plena”, frisa.
Nas últimas semanas destacou-se pela liderança demonstrada num momento de crise. Questionada sobre a chave desse trabalho, aponta a proximidade com as pessoas e o trabalho coletivo. “Ouvir as pessoas, estar próxima dos problemas, trabalhar em equipa e decidir com serenidade. E planear o pior para proteger pessoas, animais e bens.”
A transparência e a comunicação clara também foram determinantes. “Em momentos de crise, as pessoas precisam de informação, transparência, proximidade e de perceber as decisões que tomamos. Isso gera confiança”, pode ler-se na revista.
Faz ainda questão de agradecer o esforço de todas as instituições envolvidas. “Foi isso que procurei garantir, com uma extraordinária equipa a meu lado. Foram muitas as instituições que estiveram sempre no terreno a cuidar, e por isso lhes deixo a minha gratidão. Não posso deixar de referir o papel extraordinário das juntas de freguesia”, refere.
No exercício das suas funções públicas, há princípios dos quais não abdica. “Planeamento, rigor, colocar o interesse das populações acima de tudo, trabalho em equipa, rapidez, proximidade com as pessoas e responsabilidade nas decisões. Quem exerce funções públicas nunca deve esquecer que está ao serviço da comunidade”, explica.
Quanto às mulheres que a inspiram, a resposta foge às figuras mais mediáticas: “Tenho sido inspirada por muitas mulheres anónimas, que conciliam trabalho, família e participação cívica todos os dias com enorme resiliência. São exemplos silenciosos de força e dedicação.”
Sobre a forma como gostaria de ser lembrada, deixa uma ideia simples, mas clara: “como alguém que trabalha” e que procurou sempre servir a comunidade com dedicação, sentido de responsabilidade e compromisso com as pessoas.
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