Saúde

Adeus açúcar! Surge uma alternativa natural mais saudável

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 3 horas atrás em 16-01-2026

Imagem: depositphotos.com

Os adoçantes artificiais prometem tornar alimentos e bebidas açucarados mais saudáveis, mas alguns dos substitutos de zero calorias mais populares estão a levantar novas preocupações.

Agora, investigadores da Universidade Tufts, em parceria com as empresas de biotecnologia Manus Bio (EUA) e Kcat Enzymatic (Índia), desenvolvem uma alternativa natural promissora: a tagatose, um açúcar raro com sabor semelhante ao da sacarose, mas com menos calorias e menor impacto na glicemia.

A tagatose é cerca de 92% tão doce quanto o açúcar de mesa, mas contém apenas aproximadamente um terço das calorias. Além disso, não provoca os picos de insulina associados à sacarose ou a muitos adoçantes artificiais, tornando-se uma opção potencialmente atrativa para pessoas com diabetes ou problemas de glicemia.

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Apesar de ser encontrada apenas em pequenas quantidades em alguns laticínios e frutas, a tagatose apresenta benefícios adicionais: é considerada amiga dos dentes, pode ter efeitos prebióticos para o microbioma oral e permite ser utilizada em preparações culinárias, ao contrário de muitos adoçantes de alta intensidade.

O grande obstáculo até agora tem sido a produção limitada. “Existem processos estabelecidos para produzir tagatose, mas são ineficientes e caros”, explica Nik Nair, engenheiro biológico da Universidade Tufts. A equipa desenvolveu um método inovador, utilizando bactérias Escherichia coli geneticamente modificadas como “pequenas fábricas” equipadas com enzimas específicas para transformar grandes quantidades de glicose em tagatose.

O segredo está numa enzima recém-descoberta do bolor mucilaginoso, a fosfatase seletiva de galactose-1-fosfato (Gal1P), que converte glicose em galactose, posteriormente transformada em tagatose por uma segunda enzima. Com esta estratégia, os investigadores conseguiram um rendimento de produção de até 95%, significativamente superior aos 40–77% obtidos pelos métodos atuais.

“A principal inovação foi inserir a enzima Gal1P nas bactérias de produção, invertendo uma via biológica natural e permitindo gerar galactose a partir da glicose. A partir daí, a tagatose e outros açúcares raros podem ser sintetizados”, afirma Nair.

Embora ainda seja necessário otimizar a linha de produção, esta abordagem poderá abrir caminho para a produção em larga escala de açúcares raros de forma sustentável. Estima-se que o mercado da tagatose possa atingir um valor de 250 milhões de dólares até 2032.

O estudo foi publicado na revista Cell Reports Physical Science.

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