Região

Votos das Presidenciais em Montemor-o-Velho poderão ter de ser recolhidos de barco

Notícias de Coimbra com Lusa | 10 minutos atrás em 06-02-2026

Os votos da segunda volta das eleições presidenciais na localidade de Ereira, em Montemor-o-Velho, que está isolada pelas águas, poderão ter de ser recolhidos de barco, no domingo, após o sufrágio, admitiu o presidente da Câmara Municipal.

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Em declarações à agência Lusa, José Veríssimo disse esperar que o ato eleitoral decorra dentro da normalidade possível, mas observou que se a altura de água na via de acesso à freguesia da Ereira ultrapassar 1,20 metros, o transporte deixa de ser feito, como agora, pelos meios pesados dos bombeiros e Exército.

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“Acima de 1,20 metros, já temos plano previsto e os votos vão ser recolhidos de barco”, revelou o autarca.

Atualmente, vincou José Veríssimo, a altura de água na estrada municipal 601, entre a ponte de Verride e o largo principal da Ereira ascende a um metro.

Já nos campos agrícolas, o autarca estimou que a água ultrapasse os dois metros de altura, a caminho dos 2,5 metros.

Questionado sobre o local de voto na Ereira ser o mesmo – uma associação local – onde os bombeiros e militares do Exército ali destacados dormem e tomam as suas refeições, José Veríssimo enfatizou que “são situações diferentes”, a agremiação possui vários espaços “e não vai haver interferências” na realização da segunda volta das eleições presidenciais.

A Ereira, onde residem cerca de 650 pessoas, será assim, se a situação de cheia controlada no vale do Mondego se mantiver, a única das 11 freguesias do concelho de Montemor-o-Velho, no distrito de Coimbra, em que o acesso poderá passar a ser feito através de embarcações.

Nas restantes, especialmente em localidades ribeirinhas da margem esquerda do Mondego, apesar de existirem estradas cortadas pela subida das águas do rio e dos seus afluentes, como o Ega, o autarca frisou que as freguesias “estão comunicáveis” e não isoladas.

Apesar de anuir a motivação das pessoas “não será a melhor” para irem votar, face ao mau tempo da última semana e às inundações em curo, José Veríssimo não deixou de apelar ao voto.

“As pessoas estão condicionadas, mas a vida normal tem de continuar”, defendeu.

Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.

O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.

A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 para 68 concelhos, voltando a ser prolongada até 15 de fevereiro.