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Desporto

Volta a Portugal: João Matias habituou-se a vencer. Só pensa em levar a camisola verde até ao fim

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João Matias pode ter arranjado um problema de espaço em casa, ao ‘bisar’ hoje na quarta etapa da Volta a Portugal em bicicleta, mas já não quer largar a camisola verde, conquistada após nova lição tática da Tavfer-Mortágua-Ovos Matinados.

A equipa de Mortágua deixou a Wildlife Generation, de Scott McGill, trabalhar na perseguição aos 10 fugitivos da jornada, ‘limitando-se’ a colocar Matias no sítio certo, na hora certa, com o ‘pistard’ português a negar novamente a vitória ao norte-americano, tal como aconteceu há dois dias, em Castelo Branco – desta vez, o terceiro foi o espanhol Andoni López de Abetxuko.

A vitória categórica do ciclista de 31 anos, consumada em 03:55.11 horas, levou-o também à liderança da classificação dos pontos, uma ‘dor de cabeça’ feliz para o barcelense, que agora terá de ‘inventar’ espaço para acomodar os vários exemplares da camisola verde entre as roupas de Dinis, o filho que nasce em setembro.

“A verdade é que a casa está a ficar pequena, as gavetas começam a ser poucas, mas arranja-se sempre um espacinho, mais não seja na adega do pai”, brincou, assumindo como objetivo levar a camisola até Gaia, onde a Volta a Portugal termina em 15 de agosto.

Após as emoções da Torre, os homens da geral, nomeadamente o camisola amarela Mauricio Moreira (Glassdrive-Q8-Anicolor), encararam hoje os 169,1 quilómetros entre a Guarda e Viseu como um prelúdio do dia de descanso, enquanto outros olharam para a quarta etapa como uma oportunidade de redenção, como foi o caso de Joaquim Silva.

Depois de uma jornada desastrosa de toda a equipa na Serra da Estrela, o ciclista da Efapel juntou-se ao ex-camisola amarela Rafael Reis (Glassdrive-Q8-Anicolor), e também a Afonso Silva (Kelly-Simoldes-UDO), Álvaro Trueba (Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel), Bruno Silva (Tavfer-Mortágua-Ovos Matinados), Joseba López (Caja Rural), Óscar Pelegrí (Burgos-BH), Peio Goikoetxea (Euskaltel-Euskadi) e Robin Carpenter (Human Powered Health) para formar a fuga do dia, logo ao quilómetro três.

Por ter ficado fora da ‘aventura’ da jornada, a Aviludo-Louletano-Loulé Concelho tentou perseguir os fugitivos, sem sucesso, optando por lançar José Mendes no encalço do grupo da frente, com o antigo bicampeão nacional de fundo (2016 e 2019) a alcançá-los ainda antes do quilómetro 60.

Os 10 fugitivos construíram uma margem folgada, fixada durante largos quilómetros nos cinco minutos, mas prontamente reduzida assim que a Wildlife Generation entrou em ação – a 15 quilómetros da Avenida Europa, já só tinham um minuto de vantagem para o pelotão.

Inconformados, Rafael Reis e Robin Carpenter ainda tentaram arrancar, mas acabaram absorvidos, tal como Joaquim Silva e Afonso Silva, por um pelotão a alta velocidade a três quilómetros do final.

Nessa altura, já a Tavfer-Mortágua-Ovos Matinados colocava João Matias, que, depois de novo trabalho irrepreensível de António Barbio, descrito pelo vencedor como o seu “anjo da guarda”, ‘só’ teve de “empurrar”.

“Primeiro, com uma [vitória] já estava satisfeito. Agora, com duas, acho que a minha cara diz tudo. Estou super feliz, super contente. Esta, sem dúvida alguma, é para todos os meus companheiros. Toda a gente viu na televisão, toda a gente viu esta chegada”, evidenciou.

Em novo dia monótono e sem brilho numa Volta a Portugal estranhamente apagada e sem alma, Mauricio Moreira chegou à meta integrado no pelotão, e vai passar pela primeira vez um dia de descanso de amarelo.

“Passar o dia de descanso de amarelo tem de ser bonito, é a primeira vez que me acontece”, disse o uruguaio, que lidera a geral com 30 segundos de vantagem sobre o seu colega português Frederico Figueiredo, segundo, e 31 sobre Luís Fernandes (Rádio Popular-Paredes-Boavista).

‘Mauri’ vai enfrentar o mais duro teste à sua amarela na quarta-feira, na quinta etapa da 83.ª edição, que liga a Mealhada ao Observatório de Vila Nova, em Miranda do Corvo, uma subida inédita de 10 quilómetros, classificada como de primeira categoria.

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