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Voces Caelestes canta em Lisboa paixões de Guimarães e Coimbra

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O grupo Voces Caelestes faz hoje a estreia moderna das Paixões segundo São Mateus e São João, como eram cantadas, no século XVI, na Colegiada da Oliveira, em Guimarães, e também em Santa Cruz, de Coimbra.

O concerto, sob a direção do maestro Sérgio Fontão, realiza-se hoje às 15:30, no Convento da Encarnação, à Mouraria, em Lisboa, e são solistas o tenor João Rodrigues e os barítonos Manuel Rebelo e Carlos Pedro Santos.

O concerto, que se insere na 25.ª temporada “Música em São Roque”, organizada pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, “apresenta, pela primeira vez, em Lisboa, o canto solene da Paixão, tal como se teria feito em Guimarães, provavelmente na Colegiada da Oliveira, a partir do século XVI, no qual o texto do Evangelho era assinalado por três diáconos cantores”, explica o investigador José Maria Pedrosa Cardoso, numa nota sobre o concerto enviada à Lusa.

Estes três diáconos cantores, “além de executarem a três vozes os versos especiais, repartiam entre si o drama da Paixão cantando em diferentes níveis de recitativo, os papéis de narrador, do Cristo e dos restantes personagens intervenientes no relato evangélico”, acrescenta o musicólogo.

O concerto “resulta de um importante códice musical existente na Sociedade Martins Sarmento, em Guimarães, composto por volta de 1580”, realça Pedrosa Cardoso.

“Trata-se da música da Semana Santa, na qual é especialmente relevado o canto dramático da Paixão de Cristo, tal como se cantava em Santa Cruz de Coimbra no século XVI”, afirma o investigador, segundo o qual se “sabe desta evidência pelo facto de existir na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra um códice similar, infelizmente maltratado, que teria sido usado na Liturgia do Domingo de Ramos, da Terça, Quarta e Sexta-Feira Santas”.

“O facto de este livro de música se encontrar em Guimarães deve explicar-se pela mesma razão de, entre os três livros de música existentes na Biblioteca Nacional de Portugal que pertenceram ao Convento de Santa Clara de Guimarães, existir um proveniente de Santa Cruz de Coimbra, com música de D. Pedro de Cristo, um dos principais compositores daquele mosteiro crúzio e o autor provável das principais polifonias deste códice: uma explicação que a história regista devido à irradiação da importante música criada no dito Mosteiro de Coimbra por outros centros religiosos do nosso país”, explica o historiador.

Este concerto das antigas Paixões de Guimarães e Coimbra é acompanhado por duas versões salmódicas e uma ladainha de defuntos, a quatro vozes, do mesmo códice da Sociedade Martins Sarmento, e terá ainda o contributo especial do canto das turbas da Paixão, composto por D. Pedro de Cristo, tal como existe na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.

As Voces Caelestes estrearam-se em 1997, na ópera “Platée”, de Rameau, que assinalou a reinauguração do Jardim Botânico da Ajuda, em Lisboa.

Dirigido desde o início por Sérgio Fontão, o grupo tem colaborado com maestros como Harry Christophers e o tenor e regente Peter Schreier.

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