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Viúva enterra guerrilheiro e pede que lhe devolvam os filhos

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A viúva do guerrilheiro dissidente Mariano Nhongo pediu hoje durante o funeral no centro de Moçambique que lhe sejam devolvidos cinco filhos que diz terem sido levados pelas Forças de Defesa e Segurança (FDS) durante a perseguição ao pai.

“A vida junto ao meu marido foi difícil desde o seu regresso às matas. Hoje, morto, o que peço ao Governo é o retorno dos meus filhos raptados em Chimoio e no Inchope, há mais de um ano”, declarou Amélia Marcelino, em sena, língua local, em lágrimas e com um bebé de 3 anos ao lado, último filho do guerrilheiro.

Mariano Nhongo, líder da autoproclamada Junta Militar da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), movimento dissidente do maior partido da oposição, foi hoje sepultado no quintal da sua residência, no povoado de Chirassicua, distrito de Nhamatanda.

Além da mulher, Amélia Marcelino, participaram na cerimónia dois filhos, amigos e ex-guerrilheiros da Renamo, sendo que nenhuma figura do partido esteve presente.

“Vieram homens do Governo na minha residência e levaram os meus filhos. Se morreram ou não, eu não sei, só estou a pedir para os devolverem”, disse a viúva aos jornalistas.

Carlitos Nhongo, filho de 26 anos, juntou-se aos apelos da mãe, dizendo que não sabe dos irmãos e respetivas famílias depois de terem sofrido um atentado.

No seu entender, as discórdias envolviam o pai, que agora está morto, pelo que esperam recomeçar a vida com a ajuda do Governo moçambicano.

José Zacarias, ex-guerrilheiro da Renamo e um dos integrantes da Junta Militar que entregou as armas, disse que tentou convencer Mariano Nhongo a sair das matas, mas sem sucesso.

“Tentámos muito”, afirmou, mas o líder guerrilheiro acabou por ser abatido num tiroteio: “É triste a maneira como ele morreu”, concluiu.

Noutra tónica, Felipe Trabingua, secretário de bairro em Nhamatanda, descreveu “o medo” que a população sentia por causa dos ataques da Junta Militar.

“Vivíamos com medo de um dia ele voltar e fazer estragos nesta zona”, referiu, recordando que de cada vez que a rádio noticiava ações armadas da Junta, a aldeia fugia para o mato e lá ficava dias escondida. 

“Ele era uma ameaça”, declarou.

A polícia moçambicana abateu Mariano Nhongo na segunda-feira depois de ele e outros terem disparado contra uma patrulha, desencadeando uma troca de tiros que lhe seria fatal, numa mata de Cheringoma, província de Sofala.

A autoproclamada Junta Militar da Renamo tem contestado a liderança do partido e os termos do processo de desarmamento, desmobilização e reintegração (DDR) decorrentes do acordo de paz de agosto de 2019.

Apesar de várias tentativas de diálogo, algumas delas anunciadas por Mirko Manzoni, representante pessoal do secretário-geral das Nações Unidas em Moçambique, nunca houve um entendimento.

O grupo tem protagonizado ataques armados no centro de Moçambique que já provocaram a morte de 30 pessoas.

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