Saúde

Vírus comum pode desencadear Esclerose Múltipla

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 50 minutos atrás em 04-03-2026

Investigadores do University of California San Francisco (UCSF) anunciaram resultados promissores que reforçam a ligação entre o vírus Epstein‑Barr (EBV) — uma infeção extremamente comum — e o desenvolvimento da esclerose múltipla (EM), uma doença autoimune complexa que afeta o sistema nervoso central.

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O EBV, responsável pela mononucleose infeciosa e presente em cerca de 95 % dos adultos em todo o mundo, normalmente permanece latente no organismo após a infecção inicial. Porém, um novo estudo sugere que, em pessoas com EM, o vírus pode estar a reativar e a desencadear respostas imunológicas agressivas contra o próprio sistema nervoso.

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O que os cientistas descobriram foi um aumento marcante em células T “assassinas” — um tipo de glóbulo branco especializado na destruição de células infectadas — no líquido cefalorraquidiano (LCR) de pacientes com EM. Essas células T pareciam estar especificamente sintonizadas para reconhecer proteínas do EBV.

Nos pacientes com EM, essas células T estiveram até 100 vezes mais presentes no LCR, indicando uma resposta imunológica localizada ao redor do cérebro e da medula espinhal. Isso contrasta com a circulação sanguínea geral, onde essa concentração não foi observada.

Além disso, a maioria dos pacientes com EM apresentou sinais do vírus no LCR, e alguns genes do EBV estavam ativos apenas nesses casos — sugerindo que a reativação viral pode estar diretamente associada ao processo inflamatório que caracteriza a doença.

Esse novo trabalho soma‑se a descobertas anteriores que apontam para uma ligação epidemiológica impressionante: indivíduos que já tiveram infecção por EBV têm um risco de desenvolver EM até 32 vezes maior em comparação com pessoas que não foram infectadas por esse vírus, conforme outro estudo amplo publicado em 2022.

Os especialistas afirmam que entender essa ligação entre EBV e esclerose múltipla pode abrir portas para estratégias de prevenção ou tratamento que atuem antes mesmo de os sintomas clínicos se manifestarem, por exemplo via vacinas ou terapias antivirais específicas.

Segundo os pesquisadores, interferir nessa resposta ao EBV não só poderia ter impacto significativo na EM, mas também em outras condições associadas à reativação viral, como lúpus, alguns tipos de câncer e síndromes pós‑virais crónicas.

A pesquisa foi publicada na revista Nature Immunology.

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