Stefan Ivanovic, de 31 anos, é lembrado como um dos heróis do incêndio que deflagrou na véspera de Ano Novo num bar de Crans-Montana e que causou 40 mortos.
Funcionário da segurança do espaço, Stefan saiu do edifício em chamas e voltou a entrar para salvar pelo menos três adolescentes. Pouco depois, o teto ruiu. Morreu no local. Casado e pai de uma criança, é hoje homenageado num memorial improvisado em frente ao bar.
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Entre os vários atos de coragem, destaca-se também o de Paolo, cidadão suíço e pai de uma adolescente que se encontrava no local. Ao ouvir os gritos da filha, que já tinha conseguido sair, Paolo regressou ao interior para procurar o namorado dela. Há relatos de que terá ajudado a retirar cerca de 20 pessoas. Sofreu queimaduras e encontra-se hospitalizado, mas afirmou aos órgãos de comunicação suíços que faria tudo de novo. “Sabia que eram filhos de alguém. Não podia fazer de outra forma”, disse.
Nem todos conseguiram escapar. A portuguesa Fanny Magalhães, de 22 anos, ficou presa entre o fogo e os destroços e teve de ser identificada por ADN. As datas das cerimónias fúnebres ainda não são conhecidas, nem se estas terão lugar na Suíça ou em Santa Maria da Feira, de onde era natural. O carro da jovem estava estacionado nas imediações e o telemóvel ficou desligado no momento do incêndio, levando a família a temer o pior desde as primeiras horas.
As autoridades suíças continuam a investigar as causas do incêndio e admitem a possibilidade de crimes como incêndio doloso ou homicídio negligente. Os gerentes do espaço já foram ouvidos e sabe-se que o responsável tinha antecedentes policiais. Além das condições de segurança, está a ser analisado o acesso de menores ao bar. Alguns grupos não estariam acompanhados por adultos, apesar dessa ser uma exigência. A vítima mais nova tinha 14 anos, era suíça e encontrava-se com amigos.
Junto ao memorial, multiplicam-se as mensagens de condolências, muitas delas em português. “Deus esteja convosco” e palavras de força para os pais que perderam os filhos repetem-se no livro deixado no local.
Henrique, português residente em Crans-Montana, contou que a filha acabou por não ir ao bar nesse dia. “Desmarcou às cinco da tarde. Foi um milagre”, disse ao CM. “Quando soube do acidente, corri para casa com medo que tivesse mudado de ideias. Felizmente estava a dormir.”
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