Mundo

Venâncio Mondlane acusado de cinco crimes incluindo desobediência e terrorismo

Notícias de Coimbra com Lusa | 7 meses atrás em 22-07-2025

O político Venâncio Mondlane foi acusado pelo Ministério Público moçambicano de cinco crimes, no âmbito das manifestações pós-eleitorais, incluindo incitamento à desobediência coletiva e instigação ao terrorismo, revelou o próprio, à saída da Procuradoria-Geral da República (PGR).

PUBLICIDADE

Perante um forte aparato policial, com a sede da PGR, em Maputo, interdita à circulação automóvel e pedonal, e com elementos do Ministério Público a receberem-no à entrada com coletes antibala, o ex-candidato presidencial explicou, após 30 minutos no interior para receber a notificação, que vai para julgamento, com o apoio de uma “equipa internacional” de advogados, de “consciência tranquila”.

PUBLICIDADE

PUBLICIDADE

publicidade

Mondlane revelou que está acusado de um crime de apologia pública ao crime, de um crime de incitamento à desobediência coletiva, um crime de instigação pública a um crime, um crime de instigação ao terrorismo e um crime de incitamento ao terrorismo, acusação que não reconhece.

“Pelo contrário, eu prestei um grande serviço a esta nação. É a primeira vez em 30 anos de democracia em que nós conseguimos levar até ao extremo a questão de desvendar, tirar o véu da fraude. Tiramos a máscara da fraude e levamos até a extrema resistência contra um regime ditatorial que se mantém com base nas armas, com base nos assassinatos e nos sequestros”, disse aos jornalistas Venâncio Mondlane, que não reconhece os resultados das eleições gerais de 09 de outubro.

“Eu prestei um grande serviço a este país. E não só. É a primeira vez desde a independência nacional que o povo moçambicano durante uma semana canta o hino nacional e sente o sentimento pátrio, sente que pertence a uma pátria, sente que tem orgulho de ser moçambicano, tudo isto para mim configura um grande serviço prestado à pátria”, afirmou ainda, aludindo aos vários meses de protestos pós-eleitorais em Moçambique.

Nas declarações, acusou a Justiça moçambicana de ser “seletiva”, no tratamento deste processo: “É uma Justiça para aqueles que são conformados com o crime, que são promotores desse mesmo crime, recebem privilégios. E aqueles que querem combater esse crime, aqueles que querem combater esse estágio de miséria em que o país se encontra, são combatidos, são perseguidos, são presos, são mortos, são feridos”.

O trânsito na avenida Vladimir Lenine, na baixa da cidade e único acesso à sede da PGR, foi fechado cerca das 09:00 (menos uma hora em Lisboa), após terem sido posicionados meios de dissuasão da polícia na zona, como um tanque de água, e algumas dezenas de agentes, incluindo da Unidade de Intervenção Rápida e brigadas cinotécnicas, que impediam a aproximação de apoiantes de Venâncio Mondlane à PGR.

A polícia de choque formou mesmo um cordão de segurança à volta da sede da PGR e obrigou populares a retirarem-se da zona, ficando apenas jornalistas.

“Estes senhores polícias que vocês veem aqui, que estão a disparar contra os outros, são exatamente as pessoas que nós, quando apresentamos o nosso programa de governação, demos as melhores condições técnicas, salariais, de formação, de dignidade, que nunca tiveram 50 anos (…). Ainda vou sair daqui hoje, vão-me seguir, talvez vão continuar a disparar, vão matar algumas pessoas, vão ferir, mas esses são objetos do meu projeto”, afirmou Mondlane, depois de na segunda-feira a polícia ter feito disparos de gás lacrimogéneo em Maputo, após a sua chegada ao aeroporto, para dispersar apoiantes.

Garantiu ainda que a partir de hoje vai trabalhar na defesa, com o apoio de advogados moçambicanos e estrangeiros, precisamente no dia seguinte a ter regressado a Moçambique após várias semanas na Europa, em Portugal e na Alemanha: “Eu não fui à Europa, por acaso. Tenho advogados de todos os quadrantes”.

Venâncio Mondlane foi hoje chamado à PGR, pela terceira vez, no âmbito dos processos das manifestações pós-eleitorais, tendo o Ministério Público mantido o Termo de Identidade e Residência ao político, como medida de coação, segundo disse o político, à saída.

Moçambique viveu desde as eleições de outubro um clima de forte agitação social, com manifestações e paralisações convocadas por Mondlane, que rejeita os resultados eleitorais que deram vitória a Daniel Chapo, apoiado pela Frelimo, partido no poder, como quinto Presidente da República.

Segundo organizações não-governamentais que acompanham o processo eleitoral, cerca de 400 pessoas morreram em resultado de confrontos com a polícia, além de destruição de património público e privado, saques e violência, conflitos que cessaram após encontros entre Mondlane e Chapo em 23 de março e em 20 de maio, com vista à pacificação do país.

PUBLICIDADE

publicidade

PUBLICIDADE