Investigadores do SUNY College of Optometry (EUA) publicaram um estudo — programado para sair na revista científica Cell Reports — que propõe uma nova explicação para a crescente prevalência de miopia em todo o mundo.
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O trabalho sugere que não são apenas os ecrãs dos dispositivos (telemóveis, tablets, computadores) que explicam o aumento global de miopia — mas sim o ambiente visual típico em que essas atividades acontecem: realizar tarefas de perto num ambiente com iluminação interior fraca.
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Segundo os investigadores, quando olhamos para objetos próximos (como um texto ou um ecrã), a pupila contrai-se para focar — mesmo em baixos níveis de luz. Em condições de muita pouca luz ambiente, a combinação de: foco próximo, e pupila contraída que pode reduzir significativamente a quantidade de luz que atinge a retina, diminuindo a estimulação visual necessária para o desenvolvimento normal do olho.
A miopia (visão curta) ocorre quando a forma do olho faz com que a luz se foque à frente da retina em vez de nela — tipicamente porque o globo ocular se alonga. Alguns fatores conhecidos que influenciam isto são hereditariedade, trabalho visual prolongado de perto, e falta de exposição à luz natural intensa.
O estudo propõe que luz interior fraca combinada com foco prolongado de perto pode ser um fator ambiental importante que contribui para a epidemia global de miopia — porque quando a retina recebe menos luz do que aquilo que “espera”, isso pode influenciar a forma como o olho cresce.
Os investigadores também destacam que a luz natural brilhante — como a que recebemos ao ar livre — faz com que a pupila se contraia devido à própria luminosidade e, mesmo assim, permite que muita luz chegue à retina. Isto pode proteger contra o desenvolvimento de miopia.
Esta hipótese ajuda a explicar porque passar mais tempo ao ar livre com luz intensa parece proteger contra a miopia, tratamentos como gotas de atropina ou lentes multifocais (que alteram a forma como os olhos focam) também podem retardar a progressão.
A miopia pode estar menos associada ao uso dos ecrãs por si só e mais relacionada com o ambiente fraco de luz interior onde normalmente ficamos quando usamos esses ecrãs ou lemos de perto, que reduz o estímulo de luz à retina.
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