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Saúde

Vacinação nas crianças terá impacto na relação entre gerações

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 O coordenador do núcleo de vacinação contra a covid-19 defende que a vacinação pediátrica vai ter um efeito a longo prazo na coesão entre gerações e que ajudou a reavivar o conceito de solidariedade coletiva.

“Vai ter efeito a longo prazo, que agora não conseguimos medir, muito benéfico para aquilo que é a perceção da importância da vacinação no nosso coletivo”, disse à agência Lusa Carlos Penha Gonçalves.

Numa entrevista a propósito da Semana da Imunização, que arranca no domingo, o responsável afirmou que, apesar de as decisões das autoridades sobre a vacinação terem por base a perspetiva do benefício individual, ainda se lembra de ver na televisão crianças a dizerem que se vacinavam (contra a covid-19) porque queriam ver os avós e queriam protegê-los.

“Eu lembro-me muito bem de ver crianças a serem vacinadas e aparecerem na televisão a dizer que estavam ali porque queriam estar com os avós e queriam proteger os avós”, afirmou, sublinhando: “É uma coisa que vai ficar na nossa coesão coletiva intergeracional”.

“Quando forem pais vão-se lembrar disto e vão provavelmente ter a mesma racionalidade que tiveram desta vez”, acrescentou.

Penha Gonçalves, que é doutorado em imunologia e investigador da Gulbenkian, considerou que a capacidade que a ciência mostrou, com o desenvolvimento de vacinas eficazes em tempo recorde, reforçou a importância da consciência coletiva e da proteção de toda a comunidade.

“A capacidade que a ciência demonstrou em reagir a um problema que ainda estava a nascer, conseguindo combatê-lo com armas eficazes, veio dar uma credibilidade a toda esta consciência coletiva de que as vacinas realmente valem a pena”, afirmou.

A comprovar a valorização da ideia da proteção individual e coletiva conferida pelas vacinas está a maior procura de vacinas como a da gripe: “As pessoas que normalmente se vacinam [para a gripe] ficaram muito mais alertadas para as vantagens que tem a vacinação e isso aumentou a adesão à vacinação da gripe”.

“Também os profissionais de saúde aderiram muito mais à vacina da gripe. Aconteceu este ano e no ano passado”, recordou.

O responsável defendeu igualmente que é notório que, em todos os países onde a vacinação avançou, “a proteção das pessoas – especialmente as mais idosas, que morriam, que tinham doença grave – é muito grande e foi muito eficaz”.

Em muitos casos, lembrou: “esta eficácia foi maior do que muitas outras vacinas que conhecemos e trouxe uma credibilidade muito grande para um processo que historicamente temos como um processo valioso, mas que as pessoas individualmente estavam a desvalorizar”.

“É um bocado paradoxal, pois à medida que vamos introduzindo as vacinas, as doenças desaparecem e as pessoas começam a criar a ideia de que, como a doença não existe, não é preciso vacinar”, explicou o responsável, insistindo: “Não vemos as doenças porque vacinamos as pessoas”.

Aponta os casos, especialmente na Europa, de algumas doenças infecciosas em crianças que tiveram surtos, como o sarampo, e afirma: ”A maior parte dos pais que têm crianças na Europa já não têm memória dessas doenças infecciosas porque foram protegidos pelas vacinas, mas isso não quer dizer que as doenças tenham desaparecido”.

“A prevenção em saúde é isso (…) as medidas que tomamos fazem com que elas [as doenças] se mantenham a níveis muito baixos, (…) e temos que as continuar a tomar”, concluiu.

Sobre o caso português, lembrou que há uma “cultura antiga de adesão à vacinação” e uma memória que “passa de geração para geração e que é importante continuar a passar”.

“A vacina é um ato individual, mas tem um reflexo coletivo (…) e, em sociedades em que esse cimento coesivo é mais visível, a vacinação foi mais fácil e Portugal é um exemplo”, considerou.

Penha Gonçalves realçou ainda que na sociedade portuguesa “o grande espírito de solidariedade foi bem visível na forma como as pessoas se vacinaram, para se proteger a si e aos outros” e concluiu: “Esta vacinação ajudou a reavivar esse conceito de solidariedade coletiva”.

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