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“Va, pensiero”: Coro coletivo da bienal Anozero canta pela liberdade nas ruas de Coimbra

Notícias de Coimbra | 16 minutos atrás em 11-04-2026

Cerca duas centenas de pessoas percorreram hoje as ruas de Coimbra a interpretar “Va, pensiero”, de Giuseppe Verdi, à ‘capella’, num coro coletivo em defesa da liberdade, realizado no âmbito da programação de abertura da bienal Anozero.

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A performance “Libertas – Da Condição da Pessoa Livre”, da autoria do artista visual Vasco Araújo, reuniu hoje cantores de coros e outros participantes, num percurso entre a igreja de Santa Cruz e o Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, para entoar “Va, pensiero”, o célebre Coro dos Escravos Hebreus da ópera Nabucco, de Giuseppe Verdi, um dos mais emblemáticos hinos históricos contra a opressão.

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A criação – concebida originalmente para o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT), em Lisboa, em 2019, e replicada depois na Bienal de Arte de Pontevedra – contabilizou 265 inscrições, sendo que pelo menos uma centena não pertence a nenhum coro, adiantou Vasco Araújo, em declarações à agência Lusa.

“A liberdade é muito diversa. Não é só uma liberdade política, é física, psicológica, é sobre a liberdade de cada um e, no fundo, é uma tomada de consciência daquilo que nós somos e do que é que podemos fazer”, afirmou o artista, sobre o espetáculo de hoje.

Partindo da igreja de Santa Cruz, na Baixa da cidade, os participantes – todos eles vestidos de branco, como símbolo de paz e unidade – fizeram as ruas Visconde da Luz e Ferreira Borges ficarem em silêncio por alguns minutos, com “Va, pensiero” a ser o único som a ecoar.

Clientes nas esplanadas, colaboradores nas portas dos comércios e espetadores nas janelas serviram de plateia para o espetáculo ao ar livre, que teve também um público a acompanhar o coro.

Dispostos numa formação em bloco, os participantes foram seguidos pelos espetadores, alguns deles também a cantar, outros a apreciar em silêncio.

No fim do percurso, no Mosteiro de Santa Clara-a-Nova, na margem esquerda do rio Mondego, os participantes de todas as idades juntaram-se num meio círculo, para cantar uma última vez pela liberdade, enquanto o público completou a outra metade do círculo.

Durante a tarde, questionado pela Lusa sobre o significado de abrir a Anozero com uma performance sobre liberdade, o diretor do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, Carlos Antunes, salientou ser esse o “princípio fundador da bienal e da arte”.

“A arte é exatamente essa luta permanente pela expressão individual”, apontou, salientando ainda que “o tema da liberdade é um tema essencial hoje em dia”.

Fernanda Alves e Joana Martins, mãe e filha, participantes do coro, sublinharam a vertente da iniciativa de manifestação pela liberdade, enquanto Maria Eugénia destacou a tentativa de “tocar corações” através da performance.

“Libertas” foi realizada no âmbito da programação de abertura da Anozero’26 – Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra, que decorre entre hoje e 05 de julho, numa organização do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra, Câmara Municipal de Coimbra e Universidade de Coimbra.

A bienal conta com curadoria de Hans Ibelings e John Zeppetelli, e curadoria assistente de Daniel Madeira, estando subordinada ao tema “Anozero’26 – Segurar, dar, receber”.

Para hoje e domingo, o fim de semana de abertura, estão previstas diferentes atividades.

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