A Universidade de Coimbra (UC) terá disponível a partir de junho uma primeira versão da plataforma digital “Camões Lab”, um projeto que pretende democratizar conhecimentos relativos a obra do poeta de forma dinâmica e atualizada.
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O portal tem como objetivo agregar materiais “validados e escolhidos criteriosamente” e disponibilizá-los, de forma dinâmica, ao público em geral, afirmou hoje o diretor da Biblioteca Geral da UC, Manuel Portela.
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As obras de Camões serão republicadas “com uma extensa anotação e marcação, que permite depois apresentar o texto sob diversas facetas”, podendo ser consultado por especialistas, leitores em geral e estudantes, “respondendo aos interesses de pesquisa e leitura de cada um”.
“Há muito boas edições críticas de obras, de autores clássicos, há muitos bons sítios ‘web’ onde nós encontramos ensaios críticos, mas a maior parte só são legíveis por especialistas ou por estudantes de um nível muito avançado. O nosso objetivo com este projeto é ter vários níveis, vários destinatários”, salientou.
O responsável intervinha hoje na apresentação da plataforma digital, na UC, quando explicou que a base de conhecimento será mantida atualizada, destacando também que o projeto tem em vista a incorporação de abordagens pedagógicas inovadoras e que promovam uma aproximação entre o autor de “Os Lusíadas” e os alunos.
A proposta da ferramenta passa ainda por ser “um portal de referência mundial”, para todos que leem e estudam Camões, em qualquer parte do mundo.
Também presente na sessão, a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, defendeu que “ao desenvolver uma plataforma digital e dinâmica da obra de Camões, ao integrar múltiplas camadas de anotação e permitir novas formas de visualização e análise textual, o projeto cria condições únicas para o estudo da obra do poeta”.
Assim, permite que “aquilo que durante muito tempo esteve reservado a círculos restritos de investigação, passe agora a poder ser explorado por um número muito mais alargado” de pessoas.
A iniciativa “integra conteúdos provenientes de diferentes países”, “dá visibilidade às múltiplas leituras e apropriações de Camões no espaço da língua portuguesa” e mostra a presença da obra do poeta “noutras línguas e noutras culturas”, acrescentou.
Já o comissário-geral para as comemorações dos 500 Anos do Nascimento de Camões, José Augusto Bernardes, ressaltou que, além de promover o acesso “a uma biblioteca enorme” a partir do ‘ecrã’, o projeto não termina com o fim das comemorações dos cinco séculos do poeta, em junho, apresentando “sementes de futuro e um potencial de transformação muito grande”.
À margem da cerimónia, o vice-reitor da UC para a Cultura, Comunicação e Ciência Aberta, Delfim Leão, disse que o portal procura “agregar produção anterior e, sobre ela, construir novas camadas de conhecimento e prepará-la para o futuro”.
“A dimensão laboratorial [da plataforma] permite que não fique fechada no tempo”, apontou.
O público poderá utilizar a ferramenta em português, inglês ou mandarim, estando a ser desenvolvido um mecanismo de inteligência artificial para que possam ser feitas perguntas e recebidas as respetivas respostas na língua de preferência do usuário.
Uma primeira versão da Camões Lab deve estar disponível em junho de 2026, sendo esperado que, a partir do fim de 2027, “a plataforma entre em velocidade de cruzeiro e se transforme num laboratório que continuamente vá aperfeiçoando o que está a ser feito”.
Na sua intervenção, durante a sessão, o reitor da UC, Amílcar Falcão, destacou o objetivo de fazer a investigação mais recente chegar a públicos alargados, ultrapassando as fronteiras da academia.
O projeto “Camões Lab” é uma parceria da UC com a Estrutura de Missão para as Comemorações do V Centenário do Nascimento de Luís de Camões, a Universidade de Macau, a Imprensa Nacional-Casa da Moeda, a Fundação Calouste Gulbenkian e a Fundação “la Caixa”.
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