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União entre Interior e Cultura pode criar movimento de transformação

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O Interior e a Cultura unidos podem criar um movimento de transformação e assumir o protagonismo na construção do futuro local e global, defendeu hoje André Barata, professor universitário e participante num seminário que vai decorrer em Belmonte.

Com o mote “Estratégias para inventar o futuro: o interior em análise no pós-pandemia”, a iniciativa está marcada para quinta e sexta-feira, em Belmonte, distrito de Castelo Branco, e vai reunir agentes culturais, autarcas, académicos, agentes de desenvolvimento do território e pessoas de diferentes setores de atividade.

Organizado pela Rede Artéria (projeto lançado em 2018, que envolve várias autarquias e que é coordenado pelo ‘Teatrão’, de Coimbra), este seminário pretende estabelecer uma relação direta entre o conhecimento académico e as comunidades locais, com o olhar posto no futuro e nas estratégias de desenvolvimento.

Estratégias que, de acordo com André Barata, professor de filosofia na Universidade da Beira Interior, passam por mudar a pergunta que normalmente se faz quando se debate o território e que, invariavelmente, questiona o que determinado setor pode fazer para ajudar o Interior.

Segundo defende, é preciso tirar a região do papel de “paciente” que precisa de ajuda e colocá-la como “o sujeito ativo” da transição e transformação que terá de ir para além desse território assumindo uma “escala global”.

“É preciso mudar o paradigma, deixando de admitir aquela lógica de subordinação e assistencialismo, que só perpetua o centralismo, a hierarquia do território e as suas desigualdades”, disse, em declarações à agência Lusa, antecipando parte do pensamento que partilhará com os participantes do seminário.

Para André Barata, o desafio passa por deixar de ver o Interior apenas como parte do problema, como “um doente”, e transformá-lo no protagonista que é “parte crucial da solução”.

“Em cada momento que o Interior se discute a si mesmo, ele tem de pensar para lá de si mesmo”, acrescenta.

Nesse sentido, diz, o Interior e a Cultura podem estabelecer uma aliança de sucesso, desde logo porque a Cultura é o espaço natural para questionar, pensar, criar e construir horizontes e porque o Interior oferece “condições ideais” para isso, designadamente pelo ritmo “desacelerado”.

Visto por muitos como um problema, esse ritmo pode, no entender deste responsável, ser uma “enorme vantagem”, principalmente no contexto pós-pandemia.

“A Cultura pode constituir o Interior como um sujeito pleno, capaz de responder ao seu futuro e ao futuro global e é também no Interior que se encontra e que salva o ritmo e o tempo próprios da Cultura”, fundamenta.

Quanto à forma como essa aliança pode ser estabelecida, André Barata aponta o “trabalho em rede” como um dos fatores-chave.

“O Interior tem de estar muito ligado para dar resposta aos problemas, tem de estar em rede, o que significa que o que se faz nos concelhos vizinho tem de estar em rede, tem de se articular. E aquilo que se faz em termos artísticos e em termos científicos e em termos intelectuais também tem de estar muito mais ligado. Ou seja, não pode haver medo de criar ligações: artistas a trabalhar com cientistas, cientistas a trabalhar com escritores, com intelectuais, com a população…”.

Princípios que também estiveram na base da criação da Rede Artéria (que organiza o Seminário), que foi lançada em 2018, com os municípios de Belmonte, Coimbra, Figueira da Foz, Fundão, Guarda, Ourém, Tábua e Viseu, num projeto de programação e criação artística, desenvolvido em rede e com o envolvimento da comunidade local, mas ta­mbém com a aposta no acompanhamento científico.

Depois de ter permitido criar diferentes espetáculos inspirados em realidades locais e de ter contado com inúmeras apresentações, o projeto termina em dezembro, com a publicação do resultados e impactos.

Num primeiro balanço, Isabel Craveiro, diretora do “Teatrão”, considera que os principais objetivos foram cumpridos e assume ainda a hipótese de dar continuidade àquele trabalho, estando a ser analisada a forma como se poderá enqu­adrar no próximo ciclo de investimentos a possibilidade de avançar com uma segunda geração da “Rede Artéria”.

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