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UNESCO destaca “cidade maravilhosa” nos dez anos de classificação do Rio de Janeiro

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A UNESCO considera que o património vivo e a fusão cultural trazem “um valor excecional” ao Rio de Janeiro, no dia em que a apelidada “Cidade Maravilhosa” celebra o 10.º aniversário como Património Cultural da Humanidade.

Foi precisamente há 10 anos, no dia 01 de julho de 2012, que a candidatura “Rio de Janeiro: Paisagens Cariocas entre a Montanha e o Mar” seria aprovada pelo Comité do Património Mundial, na cidade russa de São Petersburgo, tornando-se Património Mundial como Paisagem Cultural Urbana.

“Existe no Rio uma consonância entre a paisagem natural da cidade e as intervenções idealizadas pelo homem”, num verdadeiro encontro “entre cultura, cidade e natureza”, explicou à Lusa, a coordenadora de Cultura da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) no Brasil, Isabel de Paula.

Ao longo dos anos, detalhou, as “intervenções urbanas na paisagem, encabeçadas por profissionais de alta criatividade”, como o paisagista Burle Marx, tornaram a ‘em tempos capital do império português’ e antiga capital brasileira numa “cidade internacionalmente reconhecida por esse património paisagístico”.

Floresta da Tijuca, Pretos Forros e Covanca do Parque Nacional da Tijuca, Pedra Bonita e Pedra da Gávea do Parque Nacional da Tijuca, a Serra da Carioca do Parque Nacional da Tijuca, o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, a Entrada da Baía de Guanabara e as suas bordas d’água desenhadas, os Fortes Históricos de Niterói e Rio de Janeiro, Pão de Açúcar e Praia de Copacabana, são algumas das áreas consideradas Paisagem Cultural da Cidade do Rio de Janeiro.

A UNESCO considerou a paisagem do Rio como valor universal por esta representar uma obra-prima de um génio criativo humano, “ser testemunho de um intercâmbio de influência considerável, durante um dado período ou numa determinada área cultural, sobre o desenvolvimento da arquitetura ou da tecnologia, das artes monumentais, do planeamento urbano ou da criação de paisagens” e, por último, “estar direta ou materialmente associado a acontecimentos ou tradições vivas, ideias, crenças ou obras artísticas e literárias de significado universal excecional”.

Neste último ponto, ficou provado que a cidade brasileira é um “património vivo”, lembrou Isabel de Paula, uma mistura de culturas e artes, desde o “carnaval carioca, passando pela música carioca, a bossa-nova, o samba, o futebol”.

“A cidade tem realmente uma convergência muito grande e uma fusão das diversas culturas aqui presentes”, como a portuguesa e a africana, disse.

A “Cidade Maravilhosa” iria novamente, em 2017 e depois em 2021, a ser inscrita na Lista do Património Mundial da UNESCO.

Em 2017 o Cais do Valongo, maior porto de entrada de negros escravizados na América Latina, recebeu o título de Património Mundial da UNESCO.

Localizado na zona portuária do Rio de Janeiro, foi descoberto em 2011, é “local onde se encontraram muitos vestígios da cultura africana e até um cemitério. É um lugar emblemático (…) um lugar de encontro entre África e Brasil”, explicou a responsável da UNESCO.

O seu terceiro título, em 2021, foi a inclusão do jardim tropical do Sítio Burle Marx na lista de Património Mundial, uma zona com mais de 407.000 metros quadrados de área florestal que tem uma coleção de mais de 3.500 espécies de plantas tropicais e subtropicais.

Para Isabel de Paula, os três prémios que o Rio de Janeiro tem não foram “um presente, ou uma medalha”.

“É muito mais que isso: é um compromisso e uma responsabilidade muito grande dos gestores e do país”, que têm de adotar as medidas para garantir a preservação e assegurar as características originais que resultaram nestes três prémios da UNESCO, considerou.

A urbe é “uma cidade grande, metrópole cosmopolita, em constante movimento, ela enfrenta muitos desafios”, sendo que a própria UNESCO considerou essas “contradições que existem na cidade”, que juntam natureza, área urbana, morros, ocupação urbana, etc.

“O que é importante é que exista uma gestão publica e uma atenção da sociedade e da comunidade para garantir que essas características que deram esses títulos sejam mantidas”, frisou.

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