A Casa Havaneza, uma das mais antigas tabacarias do mundo, continua a ser um marco histórico e cultural em Lisboa, preservando uma tradição que atravessa mais de 160 anos.
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Fundada possivelmente entre 1855 e 1861 por dois belgas, François Caen e Charles Vanderin, a loja rapidamente se destacou pela qualidade do tabaco cubano e pelo serviço cuidadoso que ainda hoje caracteriza o estabelecimento.
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Ao longo do século XIX e início do XX, a Casa Havaneza tornou-se ponto de encontro da intelligentsia lisboeta, frequentada por escritores, políticos, artistas e empresários. Figuras como Eça de Queirós, Guerra Junqueiro, José Cardoso Pires e Eduardo de Noronha registaram a presença da tabacaria nas suas obras, descrevendo-a como um espaço emblemático do Chiado, tanto para negócios como para socialização.
Em 1864, o nome de Henry Burnay surge associado à tabacaria enquanto arrendatário, marcando o início de uma ligação que moldaria a personalidade da loja. Durante esta época, a Casa Havaneza funcionava também como uma extensão do Banco Burnay, permitindo que clientes do banco adquirissem charutos após os seus negócios.
Ao longo do século XX, a Casa Havaneza passou por diversas remodelações e adaptações. Na década de 1960, a gestão da empresa Empor S.A., liderada por Virgílio de Sousa, modernizou o espaço, incorporando elementos de requinte como a grade de bronze dourada de Jorge Vieira e gravuras em mármore de Bartolomeu Cid. Nos anos 70, a tabacaria expandiu-se para o comércio de artigos de luxo e presentes, mantendo o foco nos charutos Habanos.
A década de 80 marcou a expansão da marca para os grandes centros comerciais de Lisboa, com a abertura da loja das Amoreiras em 1985, seguida da do Colombo em 1998, ambas posteriormente remodeladas para oferecer espaços modernos, luminosos e com walk-in humidors. Em 2009, a loja do Chiado passou por mais uma renovação, mantendo a tradição e personalidade histórica da marca. Em 2012, a Casa Havaneza chegou ao Porto, consolidando a presença da marca fora da capital.
Hoje, a Casa Havaneza continua dedicada aos charutos e tabacos de qualidade, especialmente aos Puros Habanos, mantendo a confiança e a fidelidade de clientes antigos e novos. Mais de um século e meio depois da sua fundação, a tabacaria permanece um ícone da cidade de Lisboa e um símbolo da cultura do tabaco em Portugal.
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