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Um dia a árvore vem abaixo!

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É uma casa? É uma árvore? É uma árvore em casa? É uma casa na árvore. É! É um cenário de filme, que nos remete para o imaginário infantil, mas a história é bem real.

A imagem é de Coimbra, daquela grande parte que não é património mundial, da outra margem, que é esquerda, porque muitos só enxergam num sentido.

É  de um lado da cidade que  tem muito de monumental, mas que não tem direito a classificação, porque os seguidores de Dom Sesnando, o tal que, apesar de morto e enterrado na Sé Velha, continua a mandar na Coimbra dos estudantes que nascem doutores na barriga mãe se o pai for daqueles que fala de cátedra na velha universidade.

O postal ilustrado é de Santa Clara,  que tem gente boa,  que tem qualidade e qualidades,  que tem Forum e vai ter Ikea, mas onde desde 1951 não é construída uma habitação social, um lugar que tem residências sem um simples  WC, uma zona em que alguns idosos nunca sentiram no corpo uma gota de água a sair de um vulgaríssimo chuveiro.
Nesta margem da vida urbana, perto dos mais de 30 milhões que estão a ser enterrados no velho Convento de São Francisco, que nunca será de grandes congressos ou convenções, mas que tem enormes potencialidades como estação elevatória de águas residuais cada vez mais turvas, há mais de 500 famílias à espera de habitação social, que continuam à espera, talvez de um ajuste directo ou de um plano de pormenor, daqueles simples,  que pobre nem pedir sabe, algo como todos temos o direito de viver com dignidade.
E a casa da árvore, onde é a casa da árvore, pergunta e-leitor, a pensar no passeio de domingo. Fica na Urbanização da Bela Cruz, na dita Santa Clara. Tem uma vista deslumbrante e pode ser vista da antiga estrada de Lisboa.
Divirta-se a tirar fotos, mas antes, lembre-se, mais não seja porque estamos quase no Natal,  que a atracão turística esconde o drama de uma família, que sobrevive por ali, até que o inverno  da vida mande a chalet abaixo quando uma rabanada menos doce levar o “prototipo” para o outro mundo de uma sociedade que não se vê ao espelho.
Este caso foi denunciada por José Simão, presidente da União de Freguesias de Santa Clara e Castelo Viegas, numa das últimas assembleias municipais, mas ninguém lhe deu ouvidos, apesar de ser dos poucos que sabe do que fala e chama a atenção para o que é verdadeiramente importante na terra que o acolheu, mas, como quase sempre, a maior parte da oposição e da situação só mete o braço no ar quando o controleiro lhe faz sinal ou quando recebe o envelope que paga uma tarde de boa vida.

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