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Coimbra

Um ano de covid-19: Menos 3.100 cirurgias nos IPO e menos doentes referenciados pelos centros de saúde

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Os três IPO realizaram em 2020 passado menos 3.100 cirurgias oncológicas do que no ano anterior e houve menos 2.380 doentes referenciados para estes institutos pelos centros de saúde.

De acordo com os dados a que a agência Lusa teve acesso, a maior quebra verificou-se no Instituto Português de Oncologia (IPO) do Porto, com menos 2.127 cirurgias do que em 2019.

Apesar de as suspensões de cirurgias programadas por causa da pandemia de covid-19 não ter afetado diretamente estes institutos, o vírus acabou por ter uma influência nesta atividade cirúrgica pois alguns profissionais de saúde que aqui trabalham também foram infetados, o que prejudicou o funcionamento dos blocos operatórios.

Em declarações à agência Lusa, o presidente do IPO de Lisboa, João Oliveira, explicou que a quebra na atividade cirúrgica se deveu sobretudo ao facto de alguns profissionais de saúde terem ficado infetados com o novo coronavírus, frisando que, com a escassez de meios humanos que já existia nos serviços públicos, “qualquer um que falte pode fazer toda a diferença para o funcionamento de um bloco operatório”.

Os dados do IPO de Lisboa indicam que se fizeram menos 720 cirurgias no ano passado, mas só em janeiro deste ano já se realizaram 527.

O instituto teve de fazer obras de ampliação no bloco operatório e houve cirurgias complexas que ocupam o bloco por muito mais tempo, o que contribuiu para a redução da atividade cirúrgica, mas atualmente a fazer cirurgia adicional de segunda a sexta-feira e também ao sábado.

Apesar de o número de cirurgias ter diminuído no ano passado no IPO de Lisboa, o instituto conseguiu aumentar os transplantes de medula, que subiram de 77 para 90. Em janeiro deste ano já fizeram nove.

João Oliveira diz que o IPO de Lisboa recebeu menos doentes em 2020 (16.540) do que no ano anterior (18.154) e que a maior quebra foi nos doentes referenciados pelos centros de saúde (caíram 22%).

O responsável sublinha, contudo, que a maior fonte de novos doentes do IPO de Lisboa não vem dos referenciados pelos centros de saúde, mas dos doentes que vêm pelo seu próprio pé: “Aqueles que têm uma mamografia nas mãos e que o médico que consultam lhe diz: ‘Vá já ao IPO’. E esses doentes são vistos”.

Em 2019, dos mais de 18.000 novos doentes recebidos pelo IPO Lisboa, cerca de 10.000 foram diretamente (pelo próprio pé). Em 2020, enquanto os referenciados pelos centros de saúde caíram 22%, os restantes desceram menos e foram pelo próprio pé 9.800 (10.137 em 2019).

Nos novos doentes, o IPO recebe também no gabinete de referenciação pedidos de consultas feitos pelos hospitais e por médicos particulares. Aqui, a quebra também foi menor (3.559 em 2019 e 3.263 em 2020).

Sobre a eventual redução de diagnósticos de cancro, o responsável pelo IPO de Lisboa reconhece que, tendo havido menor movimento nos cuidados primários de saúde, nos níveis de cuidados em que se fazem os diagnósticos, “é lógico que tenha havido um atraso nos diagnósticos”, mas frisa: “Se esse atraso nos diagnósticos correspondeu a menor sobrevida dos doentes com cancro, ainda vai demorar mais tempo a perceber”.

A Sociedade Portuguesa de Oncologia estimou recentemente que possam ter ficado por diagnosticar em 2020 pelo menos mil doentes, com mais diagnósticos tardios a chegar a consultas – o que a médio e longo prazo pode traduzir-se em quebras nos índices de sobrevivência.

“Admito que tenha havido menos diagnósticos e que isso signifique que se deve fazer esse diagnóstico em fases mais tardias das doenças e isso é, obviamente, um deletério para prognóstico. Mas não podemos fazer afirmações válidas com números que ainda não existem”, defende João Oliveira.

Diz ainda que a referenciação pelos centros de saúde deve ter afetado as doenças menos graves, em estados mais atrasados, porque os doentes com problemas mais graves acabaram por procurar o IPO: “O que também ajuda a esta impressão que os médicos todos têm de que os doentes vêm com situações piores”, acrescenta

As quebras nas cirurgias e nas primeiras consultas ocorreram também nos IPO do Porto e de Coimbra.

Enquanto no IPO do Porto as cirurgias passaram de 12.630 em 2019 para 10.503 no ano passado (menos 2.127, -17%), em Coimbra essa quebra foi menor, passando de 4.788 para 4.520.

Já nas primeiras consultas, houve menos 3.097 (-4%) no IPO Porto e menos 2.040 (-8,9%) em Coimbra.

Aliás, o IPO de Coimbra diz que este ano tem vindo a assistir a um aumento de doentes transferidos de outros hospitais, tendo-se registado entre 01 de janeiro e 17 de fevereiro um acréscimo de 41% de doentes transferidos relativamente ao período homólogo.

De acordo com as informações divulgadas este mês, no parlamento, pela ministra da Saúde, estavam inscritos em dezembro em lista de espera para cirurgias oncológicas mais de 5.000 doentes a nível nacional, dos quais 30% nos IPO.

Tal como aconteceu noutras instituições de saúde, a redução da presença dos doentes nas instituições fez disparar o uso das tecnologias e as consultas à distância.

No IPO de Lisboa teleconsultas médicas triplicaram no ano passado (de 32.692 para 100.581), no IPO do Porto mais do que duplicaram (de 11.433 para 25.622) e no IPO de Coimbra as consultas de seguimento não presencias aumentaram mais de 10 vezes, passando de 1.449 para 19.042.

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