A Unidade Local de Saúde de Coimbra (ULS de Coimbra) criou, com o Serviço de Humanização da instituição, a Academia de Humanização, um programa inovador de apoio à formação e ao bem-estar integral dos médicos internos, promovendo uma prática clínica mais consciente, próxima e humanizada.
PUBLICIDADE
O programa, pioneiro em Portugal, assenta em três áreas essenciais: mentoria humanizada, grupos de partilha e acompanhamento interpares (Projeto Eutopos) e artes e humanidades aplicadas à medicina. “Vivemos um tempo particularmente difícil no Serviço Nacional de Saúde, marcado por uma elevada procura de cuidados e pela escassez de profissionais, num contexto de uma medicina
cada vez mais técnica, complexa e exigente. Os médicos internos iniciam esta etapa da sua vida profissional cheios de expectativas e motivação, mas o confronto com a realidade do exercício clínico nem sempre é fácil”, frisa Sílvia Monteiro, Diretora do Serviço de Humanização da ULS de Coimbra, acrescentando que “neste contexto desafiante, muitos internos podem sentir-se desacompanhados, isolados, fisicamente exaustos e emocionalmente esgotados, o que pode contribuir para o burnout e a desumanização dos cuidados de saúde”.
PUBLICIDADE
“A Academia de Humanização nasce no âmbito da promoção de uma cultura de desenvolvimento pessoal e profissional, que tem vindo a ser desenvolvida pelo nosso Serviço de Humanização, com várias formações nas áreas da humanização, comunicação e estratégias de autoconhecimento, incluindo o Eneagrama”, explica Francisco Maio Matos, Presidente do Conselho de Administração da ULS de Coimbra. “Sendo nós uma ULS universitária, com um forte papel no ensino médico pré e pós-graduado – somos o maior programa nacional de formação médica avançada – o ensino médico, a investigação e a inovação, são fundamentais para nós, não só a nível técnico, como humano. Queremos reafirmar o nosso compromisso com a construção de uma ULS mais humanizada, que forma os seus profissionais para o
cuidado com o Outro, um espaço onde cada doente, cuidador e profissional se sente escutado,
valorizado e cuidado”.
Explorando novas linguagens e formatos inovadores, capazes de criar experiências significativas e dar sentido à realidade vivida no interior de um hospital, a Academia de Humanização da ULS de Coimbra quer cultivar competências relacionais, comunicacionais e éticas, integrando-as na prática clínica diária, de forma a inspirar uma nova geração de médicos, capazes de unir ciência, sensibilidade e compromisso humano.
A Academia de Humanização assenta em três áreas essenciais:
- Mentoria humanizada: Cada interno é acompanhado por um par de mentores, um médico especialista e um interno sénior, de outras áreas de especialização, promovendo aprendizagem recíproca e apoio emocional intergeracional. A mentoria pretende ser um lugar seguro para partilhar
dificuldades, desenvolver competências relacionais e receber orientação ética e emocional. Numa lógica de mentoria reversa, os internos são convidados a partilhar com os seus mentores novas perspetivas nas áreas da tecnologia, da comunicação e do equilíbrio entre vida profissional e pessoal. - Grupos de partilha e acompanhamento interpares – Projeto Eutopos: Perante as dificuldades vividas na prática clínica, torna-se essencial criar espaços que ajudem os jovens médicos a acolher e integrar a realidade e os seus desafios, alinhando o exercício profissional com o seu propósito de vida. O Projeto Eutopos (termo de origem grega que significa “bom lugar”) parte da convicção de que o hospital, muitas vezes percecionado apenas como espaço de doença, morte e desgaste emocional, também pode ser um lugar de escuta, acompanhamento e entreajuda, potenciador do crescimento pessoal e profissional. Os grupos Eutopos procuram transformar o hospital nesse bom lugar, através da escuta, da partilha e do acompanhamento interpares. Sob orientação de facilitadores, os médicos internos aprendem a canalizar, processar e integrar a realidade vivida. Os grupos Eutopos têm, ainda, como objetivo promover o treino experiencial em escuta ativa e o debate e discussão de dilemas éticos e profissionais.
- Artes e humanidades aplicadas à medicina: Encontros mensais que exploram a medicina para além da técnica. Cada sessão combina diferentes perspectivas: medicina narrativa, com histórias de profissionais e doentes que inspiram reflexão; literatura como ferramenta para aprofundar a comunicação médicodoente; filmes e documentários, seguidos de debates orientados por especialistas; e obras de arte, que convidam a pensar sobre sofrimento, cuidado e identidade profissional. Um espaço para formar médicos mais atentos, empáticos e conscientes do valor da experiência humana.
PUBLICIDADE