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Ucrânia: Reunião parlamentar do G20 termina sem consensos sobre guerra

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A 8.ª cimeira de Presidentes de Parlamento do G20 terminou hoje os três dias de trabalho sem a assinatura de uma declaração conjunta devido a divergências sobre a condenação da invasão russa da Ucrânia.

“A declaração omite a condenação expressa da agressão ilegal que a Rússia está a cometer contra o povo ucraniano”, defendeu vice-presidente do Parlamento de Espanha, Alfonso Rodríguez Gómez de Celis, em comunicado à agência noticiosa espanhola EFE.

“Não podemos apoiar uma afirmação que não se enquadra na realidade do conflito, em que há um agressor claro, que é a Rússia, e uma vítima, que é o povo ucraniano”, acrescenta Gomez de Celis na nota, em que definiu as intervenções da Rússia nas diferentes reuniões como “inadmissíveis e cínicas”.

A Rússia, acrescentou o vice-presidente do Parlamento espanhol, “culpou o Ocidente e os ucranianos pelo desastre humanitário na Ucrânia, bem como pela fome e pela crise energética no resto do mundo”.

A discordância sobre a redação da declaração evidenciou o contexto atual de dois blocos, um formado por países ocidentais e outro pela Rússia e seus aliados, incluindo a China, e, em menor escala, a Índia, que marcam as reuniões do G20 desde a invasão da Ucrânia em fevereiro passado.

Nenhuma das reuniões realizadas este ano na Indonésia, país anfitrião do grupo, conseguiu chegar a um acordo sobre uma declaração conjunta.

A invasão da Ucrânia pela Rússia tem marcado as reuniões do G20, formado por África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Estados Unidos, França, Índia, Indonésia, Itália, Japão, México, Reino Unido, Rússia, Turquia e União Europeia (UE), sendo Espanha um convidado permanente.

As tensões causadas pela guerra impediram que se chegassem a acordos sobre temas-chave nas reuniões entre os presidentes parlamentares nestes dias, que trataram do desenvolvimento sustentável e da economia verde, de questões emergentes como a crise alimentar e energética, um parlamento eficaz, inclusão social e igualdade de género.

A cimeira de novembro, em Bali, vai testar o alcance da capacidade diplomática dos líderes dos 20 países mais poderosos do planeta, que, em princípio, contará com a presença tanto do presidente russo, Vladimir Putin, como a do ucraniano, Volodymyr Zelensky, além aos demais líderes dos membros do grupo.

 A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas – mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,6 milhões para os países europeus -, de acordo com os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A invasão russa – justificada pelo Presidente russo, Vladimir Putin, com a necessidade de “desnazificar” e desmilitarizar a Ucrânia para segurança da Rússia – foi condenada pela generalidade da comunidade internacional, que tem respondido com envio de armamento para a Ucrânia e imposição à Rússia de sanções políticas e económicas.

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 6.114 civis mortos e 9.132 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

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