Assinala-se a 24 de março o Dia Mundial da Tuberculose, uma data que continua a ser essencial para alertar para uma doença que está longe de ser do passado. “A tuberculose mantém-se como um importante problema de saúde pública, a nível global e também em Portugal”, alertam Joana Barbosa e Carina Rôlo Silvestre, da Sociedade Portuguesa de Pneumologia (SPP).
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De acordo com dados de 2024 da Organização Mundial da Saúde (OMS), a tuberculose continua entre as principais doenças infeciosas, afetando cerca de 10,7 milhões de pessoas em todo o mundo. “A tuberculose continua presente e não pode ser ignorada. Sendo uma doença curável, exige reconhecimento precoce dos sintomas, diagnóstico atempado e tratamento adequado”, advertem as médicas pneumologistas.
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Em Portugal, embora a incidência seja considerada baixa, a doença mantém-se relevante do ponto de vista da Saúde Pública. Em 2023, foram notificados cerca de 1.584 casos de tuberculose (1.461 novos casos e 123 retratamentos) correspondendo a uma taxa de notificação de 14,9 casos por 100 mil habitantes, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).
No entanto, “embora Portugal seja considerado um país de baixa incidência, a estagnação recente e a concentração da doença em grupos vulneráveis indicam a necessidade de reforçar as estratégias de deteção precoce, prevenção e intervenção dirigida, de forma a retomar a tendência de diminuição desta doença e o cumprimento das metas internacionais de eliminação da doença”.
Para Joana Barbosa e Carina Rôlo Silvestre, existem algumas medidas de Saúde Pública que, “aliadas a uma abordagem centrada no doente e à colaboração entre os cuidados de saúde primários e hospitalares, permitem interromper a cadeia de transmissão e reduzir a incidência da doença”, entre elas incluem-se: os rastreios à população de migrantes de países de alta incidência, logo à chegada ao nosso país, assim como articulação com embaixadas e centros de apoio aos migrantes; a promoção da literacia em saúde, quer na população, quer nos profissionais de saúde; medidas socioeconómicas como melhoria das condições de vida da população com redução da sobrelotação habitacional, melhoria da ventilação nos locais fechados e medidas de combate à pobreza e exclusão social.
“A identificação precoce é fundamental e essencial para proteger a comunidade, sobretudo nas populações de risco (como migrantes, em particular, os provenientes de países onde a tuberculose é altamente endémica, indivíduos com infeção VIH, situação de sem-abrigo, dependência e outras doenças crónicas)”. Para isso, é importante que a população conheça aqueles que são os sintomas mais comuns da doença, entre os quais se incluem tosse persistente, expetoração, febre, suores noturnos e perda de peso. “Perante estes sinais, é fundamental procurar cuidados de saúde. O tratamento é gratuito e acessível a todos, devendo o doente cumprir integralmente para evitar recaídas e resistência aos antibióticos”, acrescentam Joana Barbosa e Carina Rôlo Silvestre.
A nível internacional, a estratégia “End TB”, da OMS, que pretende a erradicação da doença, define metas ambiciosas, como reduzir em 90% a incidência e em 95% a mortalidade por tuberculose até 2035. Apesar dos progressos, a redução global da mortalidade entre 2015 e 2024 foi de 29%, ainda longe da meta de 75% definida para 2025. “Estes dados mostram que, apesar dos avanços, a tuberculose está longe de estar controlada. A ação local e coordenada é fundamental para alcançar um futuro sem tuberculose”.
As especialistas concluem alertando também para a necessidade de combater o estigma associado à doença: “o medo e a desinformação continuam a ser barreiras importantes ao diagnóstico e tratamento, tornando essencial investir em educação e sensibilização”.
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