Três filmes do cineasta português João César Monteiro, polémico para uns e brilhante para outros, que morreu em 2003, um dia depois de completar 64 anos, vão ser exibidos este mês na Figueira da Foz.
O ciclo “Integral João César Monteiro”, promovido pelo Centro de Artes e Espetáculos da Figueira da Foz (CAE), em parceria com a Medeia Filmes, exibirá cópias digitais restauradas de três filmes considerados essenciais na sua obra, o primeiro dos quais – Recordações da Casa Amarela, de 1989 – tem exibição agendada para dia 16.
PUBLICIDADE
Em nota de imprensa enviada à agência Lusa, o CAE considera João César Monteiro, natural da Figueira da Foz, “autor de uma obra extraordinária, ferozmente livre e de uma coragem artística ímpar. Um cineasta singular e iconoclasta que marcou sobremaneira a arte portuguesa no último meio século”.
“Recordações da Casa Amarela” recebeu o Leão de Prata no Festival de Veneza de 1989 e é o primeiro filme de uma trilogia, onde o próprio cineasta interpreta o seu ‘alter-ego’ João de Deus, junto com “A Comédia de Deus” (1995) – tem exibição marcada para dia 23 – e as “Bodas de Deus” (1999), que não está incluído neste ciclo na Figueira da Foz.
“A Comédia de Deus” garantiu a João César Monteiro, autor de 12 longas-metragens e nove curtas e médias-metragens, um segundo galardão no Festival de Veneza, o Grande Prémio Especial do Júri.
O último filme do ciclo “Integral João César Monteiro” a ser exibido no CAE (dia 28, sempre às 21:30, no auditório ao qual o município deu o seu nome, em 2020) será “Vai e Vem,” de 2003, a sua derradeira obra, editada no ano em que morreu em Lisboa.
Três anos antes, em 2000, César Monteiro esteve envolvido numa das maiores polémicas do cinema português, com “Branca de Neve”, um filme com um ecrã negro, devido à quase total ausência de imagens durante 75 minutos.
No comunicado, o CAE considera o ciclo sobre João César Monteiro como “uma excelente oportunidade para que o público (e sobretudo a nova geração) possa assistir, em sala, em cópias digitais restauradas”, à sua obra “incandescente” e “desmedidamente genial” ou “irónica e incisiva”, como a descreveu o já falecido ensaísta, professor e crítico de cinema João Bénard da Costa.
PUBLICIDADE
PUBLICIDADE
