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Trabalhadores da Soporcel exigem suspensão de novo fundo de pensões

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Cerca de 300 trabalhadores da papeleira Soporcel, reunidos hoje em plenário, exigiram a suspensão do processo do novo fundo de pensões da empresa, argumentando que este lhes retira benefícios adquiridos e que vão perder dinheiro.

“O que estamos a fazer neste momento é parar o processo. Depois de parar vamos tentar clarificar melhor esta situação, sendo certo que há aqui vários aspetos e este de perder dinheiro é logo o primeiro”, disse hoje à agência Lusa António Moreira, coordenador da União de Sindicatos de Coimbra.

Outro aspeto que António Moreira classificou, durante o plenário, de “grosseira violação” de direitos estabelecidos, diz respeito à alegada suspensão do fundo de pensões sempre que um trabalhador estiver de baixa por acidente de trabalho ou em gozo de período de maternidade ou paternidade.

O sindicalista contestou ainda o que disse ser uma obrigatoriedade de todos os trabalhadores da Soporcel – a maior empresa do concelho da Figueira da Foz e uma das principais exportadoras do país, que emprega cerca de 700 colaboradores e produz 800 mil toneladas anuais de papel – transitarem para o novo regime do fundo de pensões.

“A empresa nem sequer admite a discussão do ‘quero ou não quero'”, disse António Moreira.

Pelas novas regras, hoje apresentadas em plenário, a contribuição da empresa para o fundo de pensões cai de mais de oito pontos percentuais para 4% mas os valores reais são desconhecidos dos trabalhadores.

“Nem sequer podemos fazer contas em números porque os trabalhadores nem sequer têm conhecimento do que está acumulado ou do valor que têm. Não conhecendo, no final o que sabem é que quando forem a esse fundo vão ter uma quebra acentuada, vão perder dinheiro”, disse António Moreira.

“Uma empresa que vem propor uma alteração ao fundo de pensões não vem alterar para dar benefícios aos trabalhadores”, adiantou.

Ouvida pela Lusa, fonte oficial da Soporcel afirmou que não irão ocorrer “quaisquer alterações nas pensões que já se encontrem em pagamento”, mantendo-se ainda “inalterados” os benefícios para todos os trabalhadores com direitos adquiridos que, a 31 de dezembro de 2013, já haviam cessado a sua relação com a empresa.

Adianta que o grupo Portucel Soporcel vai continuar a conceder aos colaboradores um benefício complementar à pensão da Segurança Social, “com custos sustentáveis para a empresa no imediato e a longo prazo”.

A empresa alega ainda que o atual plano de pensões foi estabelecido em 1988, “num período em que as condições eram substancialmente diferentes das que hoje se verificam”.

“Em Portugal, e em muitos outros países, tem sido reconhecida a necessidade de ajustar os planos de pensões à realidade dos tempos presentes”, refere a Soporcel.

Argumenta que “uma das vantagens” da alteração reside na possibilidade de o colaborador “poder optar por receber de uma só vez, no momento da reforma por velhice ou invalidez, o capital acumulado resultante das contribuições próprias e um terço do capital acumulado resultante das contribuições da empresa, sendo o remanescente recebido sob a forma de pensão”.

Nos últimos dias, quase duas centenas de trabalhadores da Soporcel sindicalizaram-se no Site Centro Norte, sindicato afeto à CGTP/IN.

Pela primeira vez desde 1984, ano da entrada em funcionamento da fábrica de Lavos, foram eleitos delegados sindicais e a comissão de trabalhadores, inativa há uma década, da papeleira está em fase de revitalização.

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