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Trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Condeixa temem despedimentos

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Trabalhadores da Santa Casa da Misericórdia de Condeixa-a-Nova estão preocupados com o “seu sustento” e das suas famílias, uma vez que a instituição prevê, no orçamento para 2023, ajustamentos no quadro de pessoal.

Numa denúncia feita ao Notícias de Coimbra, alertam que o Plano de Atividades e Orçamento para 2023 vai ser aprovado na Assembleia Geral desta terça-feira, às 20h00, e dizem que prevê, pela primeira vez, “despedimentos por extinções de postos de trabalho”.

O documento refere que a “instituição projeta um ajustamento do quadro de pessoal para o ano de 2023”, pelo que, “para efeitos orçamentais, estimaram-se as respetivas indemnizações”. O orçamento contempla uma verba de 26.606,35 euros destinada a indemnizações no quadro das previsões dos gastos com pessoal.

Numa denúncia anónima, assumem que têm “muito medo de perder o trabalho”, bem como de sofrerem “assédio e serem perseguidos”. Sublinham que “nunca, em toda a vida, na Santa Casa se fez despedimentos por extinções de postos de trabalho”. Acusam a direção de optar por despedimentos por não saber “governar a casa”, uma instituição “de solidariedade e caridade”.

Acusam ainda a Santa Casa da Misericórdia de Condeixa de estar a gastar dinheiro em custos judiciais, fruto de “processos de assédio no Tribunal de Trabalho de Coimbra” apresentados por funcionários contra a direção, por, supostamente, lhe terem sido “tirados os cargos, só por ‘boca’, sem os terem avisado por carta e sem nenhuma explicação”.

Contactado pelo Notícias de Coimbra, o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Condeixa, Manuel Branquinho, assumiu que estão previstos, de facto, ajustamentos no quadro de pessoal, uma vez que “são confrontados com custos que são desajustados com a realidade da instituição” e que “põem em causa a sua sustentabilidade”.

Segundo o provedor, as despesas com pessoal representam cerca de 70% dos custos totais da instituição, valor que pretendem tentar reduzir para 65%. Com mais de 140 funcionários, a Santa Casa da Misericórdia gastou, segundo referiu o responsável, mais de 2,15 milhões de euros em pessoal no ano 2021. A meta é “reduzir esses custos em 100 mil euros por ano”, adianta, dando conta que, apesar dos ajustamentos começarem só no próximo ano, já se verifica alguma redução nesta matéria, sem intervenção da direção, uma vez que se registaram algumas rescisões de contrato e situações de reforma.

Manuel Branquinho assegura que só serão “reduzidos funcionários em lugares que são desnecessários” e que haverá sempre a preocupação de reorganizar os serviços mediante as necessidades, promovendo, sempre que possível, a “troca de funções para evitar despedimentos e rentabilizar recursos”. Assegura que a direção é “sempre contra o despedimento” e que está “bem consciente da importância que o trabalho tem para os trabalhadores e respetivas famílias”. Assegura que, para já, são “apenas dois ou três os postos de trabalho que podem ser extintos e que não são imprescindíveis”.

O provedor lamenta que o governo não reveja o valor dos apoios que dá às Misericórdias e lembra que as instituições estão a viver tempos difíceis, com a elevada inflação que se regista. “Deparamo-nos com custos elevadíssimos provocados pela inflação, nomeadamente os de energia e com a aquisição dos bens”, sublinha. Diz que, neste momento, a instituição “não tem problemas financeiros” e que há “um cuidado extremo com as finanças”, de forma a garantir que “o valor que recebe dê para fazer face às despesas”.

“Vivemos dos serviços que prestamos e do apoio do Estado. Neste momento não temos hipótese de criar outros serviços que nos assegurem mais receita sem termos que realizar investimentos avultados”, frisa.

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