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Teoria apocalíptica assusta. Terra vai ficar sem gravidade em agosto?
Imagem: depositphotos.com
Uma teoria da conspiração absurda que circula nas redes sociais afirma que a Terra perderá a gravidade durante sete segundos no próximo dia 12 de agosto, provocando milhões de mortes. A NASA já desmentiu categoricamente a alegação, que não tem qualquer base científica.
Segundo a narrativa viral, a agência espacial norte-americana teria conhecimento do fenómeno há anos e estaria a preparar-se secretamente para o evento, que ocorreria exatamente às 14h33. A publicação, que cita um suposto documento secreto chamado “Project Anchor” (Projeto Âncora), descreve um cenário apocalíptico: pessoas, animais e objetos flutuariam entre 15 a 20 metros, e quando a gravidade retornasse, a queda resultaria em 40 a 60 milhões de mortes, destruição de infraestruturas e um colapso económico prolongado.
A origem da teoria parece estar na conta de Instagram @mr_danya_of, conhecida por partilhar histórias fictícias e conteúdo gerado por inteligência artificial. A conta tornou-se inacessível poucos dias após a publicação inicial, mas a mensagem já tinha se espalhado amplamente por plataformas como Instagram, TikTok, Facebook e X.
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Em comunicado ao site de verificação de factos Snopes, a NASA afirmou que “a Terra não vai perder a gravidade no dia 12 de agosto de 2026”. A agência explicou que a gravidade terrestre depende da massa do planeta e que apenas a perda de grande parte dessa massa poderia alterar significativamente a força gravitacional.
A NASA acrescentou que o eclipse solar total que ocorrerá nessa data não tem qualquer impacto anómalo na gravidade terrestre. A atração gravitacional do Sol e da Lua sobre a Terra é “bem compreendida e previsível com décadas de antecedência”.
Especialistas reforçam o desmentido. William Alston, especialista em buracos negros da Universidade de Hertfordshire, descreveu a teoria como uma “incompreensão fundamental” da gravidade. Ele explica que ondas gravitacionais de buracos negros são extremamente fracas e imperceptíveis na Terra, afetando apenas equipamentos de deteção muito sensíveis.
O astrofísico Alfredo Carpineti, em artigo no IFLS, também criticou a teoria: “A Terra não vai deixar de ter gravidade durante um período aleatório numa data aleatória. Gravidade não é algo que se liga e desliga”. Carpineti ainda explica que a ideia de pessoas flutuando 15 a 20 metros contradiz leis básicas da física, como a primeira lei de Newton.
Este não é o primeiro caso de teorias da conspiração associadas a fenómenos espaciais. Eclipses solares, em particular, têm sido historicamente ligados a previsões apocalípticas, apesar de civilizações antigas já os conseguirem prever há milhares de anos, pode ler-se no ZAP.
Curiosamente, a escolha da data para a teoria coincide com um eclipse solar total, visível do Ártico até Portugal e Espanha, o que confere uma aparência de credibilidade a quem não verifica os factos.
Em um momento em que o mundo enfrenta ameaças reais, como alterações climáticas e crises de saúde pública, especialistas alertam que teorias da conspiração infundadas apenas servem para semear pânico desnecessário e minar a confiança na ciência.
No dia 12 de agosto de 2026, a gravidade terrestre funcionará perfeitamente — como sempre.
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