Primeira Página
“Tenho quadras lindas para dizer.” A queijeira de 77 anos que também faz poesia em Oliveira do Hospital
“Tenho 46 anos de feira.” É assim, com orgulho simples e um sorriso pronto, que Maria Luísa Jorge conta a sua história na Festa do Queijo Serra da Estrela de Oliveira do Hospital. Aos 77 anos, continua a vender queijo, a receber clientes e até a declamar poesia — tudo com a naturalidade de quem cresceu entre ovelhas, leite e tradição.
PUBLICIDADE
Natural de Vila Pouca da Beira, Maria Luísa é uma das queijeiras mais antigas do concelho. A ligação à feira começou a 9 de março de 1980, data que ainda hoje recorda com precisão.
PUBLICIDADE
“A 9 de março de 1980, linda feira começou. A feira do queijo, que muita gente admirou.”
Quase meio século depois, mantém o mesmo entusiasmo. Entre vendas e conversas com visitantes, explica que a produção do queijo continua a ser um trabalho exigente, feito no meio da rotina rural.
“Tenho muito trabalho. Tenho de guardar as ovelhas, ajudar lá em casa… perde-se muito tempo também.”
Apesar do esforço, não troca esta vida por outra. Pelo contrário: a feira continua a ser um dos momentos altos do ano.
“A feira é espetacular. Gostamos muito da feira. Foi uma beleza.”
Durante a conversa, Maria Luísa revela também um lado menos conhecido: a veia poética. Há décadas que escreve quadras sobre a feira, os pastores e a vida no campo. Algumas nasceram há mais de 35 anos, mas continuam bem guardadas na memória.
“Há 35 anos que se passaram, ainda recordo esse dia. Para as queijeiras e pastores, foi um momento de alegria.”
Nas quadras, celebra o início da feira e as pessoas que ajudaram a criá-la, lembrando como tudo começou com visitas porta a porta para convencer os pastores a participar.
“Assim começou a feira, cada vez com mais emoção. Que não acabe, que já é uma tradição.”
Hoje, Maria Luísa olha à sua volta e reconhece que o tempo passou: já não é a mais nova entre as queijeiras.
“Eu era a mais nova naquele tempo e hoje sou a mais velhota aqui.”
Mas isso não a impede de continuar. Com o queijo à venda, a algibeira pronta para guardar o dinheiro e as quadras na ponta da língua, Maria Luísa tornou-se uma das figuras mais queridas da feira — um símbolo vivo de uma tradição que continua a unir produtores, visitantes e histórias da Serra da Estrela.
“A feira do queijo é linda, onde muita gente vem. É das festas mais bonitas que o concelho de Oliveira tem.”
PUBLICIDADE