Portugal

Temporal deixa bombeira sem casa

Notícias de Coimbra | 26 minutos atrás em 01-02-2026

Na sequência do violento temporal que atingiu a região da Sertã, uma bombeira atualmente na reserva viu a sua habitação ficar totalmente destruída, obrigando-a a abandonar o local com as duas filhas menores e a viver, desde então, numa situação de grande incerteza.

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Ema Gomes, de 33 anos, bombeira desde 2009 no corpo de bombeiros de Cernache do Bonjardim, relatou que a água entrou pela habitação durante a noite e nunca mais saiu. O telhado cedeu, a eletricidade ficou comprometida e os quartos tornaram-se inutilizáveis. “A casa está completamente inabitável”, afirmou, explicando que tudo aconteceu em poucos minutos.

A residência, adquirida há poucos anos, tinha sido alvo de obras de recuperação feitas de forma gradual, de acordo com as possibilidades financeiras da família. “Foi tudo feito com muito sacrifício e perdeu-se de um momento para o outro”, lamenta em entrevista ao Jornal de Notícias.

Atualmente, além de continuarem a suportar o crédito da casa destruída, Ema e o marido enfrentam a necessidade de arrendar outra habitação, acumulando despesas sem saber durante quanto tempo. “Vamos pagar uma casa onde não podemos viver e ainda uma renda noutro local”, desabafa.

Sem solução imediata, a família está provisoriamente instalada na casa de um familiar, dormindo em colchões no chão. Uma unidade hoteleira disponibilizou alojamento por alguns dias, mas a ajuda tem prazo limitado. O marido, que trabalha na Suíça, regressou de urgência, mas terá de retomar a atividade profissional. Ema, trabalhadora independente, encontra-se sem conseguir exercer funções.

Apesar de compreender a dimensão da catástrofe que afetou dezenas de famílias, a bombeira critica a falta de informação por parte das entidades responsáveis. “Não estamos a pedir favores. Precisamos de respostas claras: se o seguro paga, quando paga e que apoios existem”, sublinha, acrescentando que o silêncio institucional tem sido particularmente penoso.

A maior preocupação prende-se com o impacto emocional nas filhas gémeas, de cinco anos, que ficaram marcadas pela noite do temporal. “Perguntam quando voltamos para casa e eu não sei o que responder”, contou, visivelmente emocionada.

Perante a urgência de garantir estabilidade à família e iniciar a recuperação da habitação, foi lançada uma campanha de angariação de fundos. O objetivo passa por reconstruir a casa e, se possível, apoiar vizinhos mais idosos que não dispõem de seguro.

Habituada a estar do lado de quem presta auxílio, Ema admite que nunca pensou vir a pedir ajuda. “Fazemos isto pelas nossas filhas. Sei, pela experiência dos incêndios de Pedrógão Grande, que os processos de indemnização podem demorar anos”, conclui.