Os últimos tempos não têm sido fáceis na região de Coimbra e o concelho de Miranda do Corvo não é exceção. Entre tempestades, cheias e inundações, foram muitos os estragos registados no território e, agora, começa a ser tempo de recuperar e regressar à normalidade.
Num desabafo publicado nas redes sociais, José Miguel Ramos Ferreira, presidente da Câmara Municipal de Miranda do Corvo, admitiu: “Vivemos semanas de uma brutalidade que tem tanto de indiscritível como de inesperada. Diariamente sou confrontado com a angústia de quem vê a sua vida de pernas para o ar, com milhões de euros em prejuízos e com a certeza de que no curto prazo não conseguiremos concretizar tantas coisas que ambicionávamos”.
“É um tempo triste e de imensa dificuldade. Mas não sou de virar a cara à luta. Nunca fui. Vamos seguir em frente e conseguir”, rematou.
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Em conversa com a agência Lusa, José Miguel Ramos Ferreira revelou que “Os danos não param de aumentar. Todos os dias estamos a ter danos cada vez mais graves”.
O autarca notou que “há várias vias no município que, pura e simplesmente, desapareceram” e que eram “fundamentais para a ligação entre os lugares”, sendo que, noutros locais, nas vias existentes, “há taludes a cair” à sua volta.
Mostrou-se, por isso, “muito preocupado” com o nível de prejuízos do concelho.
“Julgo que estaremos a ultrapassar os seis milhões de euros [em prejuízos]”, salientou.
De acordo com José Miguel Ramos Ferreira, a tempestade Kristin afetou equipamentos e infraestruturas, como o pavilhão gimnodesportivo, a incubadora de empresas, pavilhões de coletividades e a Igreja, e criou “muita despesa” associada a sinalização vertical e “alguns problemas nas estradas”.
“Depois da [depressão] Kristin, a chuva sucessiva em terrenos muito saturados está a multiplicar-se em danos muito maiores”, disse, apontando os danos nos taludes e nas vias “com uma dimensão muito superior” aos que tinham inicialmente.
“Nós, no distrito de Coimbra, inicialmente, já fomos um dos cinco concelhos mais afetados pela Kristin. Estamos a ser duplamente fustigados e é um nível que é incomportável para o nosso orçamento municipal”, concluiu.