Portugal

Tempestades destroem 237 mil casas em Portugal

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 2 horas atrás em 27-02-2026

Imagem: PAULO NOVAIS/LUSA

O “comboio de tempestades” que atravessou Portugal entre janeiro e fevereiro de 2026 provocou danos sem precedentes nas habitações, afetando pelo menos 237 mil casas, segundo um estudo preliminar do Impact Center for Climate Change (ICCC) da seguradora Fidelidade.

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A análise abrange 85% das participações registadas até 24 de fevereiro e inclui o impacto de seis tempestades — Ingrid, Joseph, Kristin, Leonardo, Marta e Nils.

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Do total de habitações afetadas, 51,4% (cerca de 122 mil casas) não possuem seguro multirriscos, que cobre tempestades e inundações. A tempestade Kristin, considerada a mais devastadora, afetou 205 mil imóveis, dos quais 108 mil estavam sem cobertura, sobretudo nos concelhos de Leiria e Marinha Grande, onde entre seis e sete em cada dez casas sofreram danos, dá conta o Expresso.

Segundo Rui Esteves, coordenador do ICCC, “as moradias isoladas mostraram-se 60% mais vulneráveis, sobretudo a ventos violentos”. Casas com painéis solares registaram 43% mais danos, enquanto o tipo de telhado e a proximidade de árvores também agravaram os efeitos dos vendavais.

O ICCC comparou a Kristin com a tempestade Leslie, de 2018, e concluiu que a atual superou largamente os fenómenos anteriores. Em 12 concelhos, mais de 30% das casas foram afetadas — quatro vezes mais do que em 2018. No distrito de Leiria, a incidência média de casas afetadas foi de 37,3%, mas chegou quase a 70% em Leiria e Marinha Grande, enquanto em Bombarral, Caldas da Rainha, Peniche e Óbidos o impacto foi inferior a 10%.

Rui Esteves destaca que “a tempestade foi vasta, mas com núcleos de intensidade extrema”, com nove freguesias onde mais de sete em cada dez casas sofreram danos, incluindo Vieira de Leiria, Chãos e Graça.

Os coordenadores do ICCC, Rui Esteves e Tomé Pedroso, defendem que a reconstrução deve seguir o conceito de “reconstruir melhor”, adotando técnicas mais resistentes a ventos de 200 km/h e reforçando telhados e fixações. No entanto, alertam que a implementação dependerá das escolhas dos proprietários, e que a ausência de seguros coloca um risco coletivo, que não deve ser assumido apenas pelos contribuintes.

O Governo anunciou recentemente a criação de um fundo para situações de calamidade, enquanto a Associação Portuguesa de Seguradores estuda um fundo para riscos climáticos e sísmicos que possa complementar os seguros multirriscos, evitando falhas de mercado.

O custo total das tempestades ainda não foi consolidado, sendo esperada mais uma a duas semanas para apurar os valores finais. O ICCC continuará a atualizar os mapas de sinistros à medida que novas participações forem recebidas, com o objetivo de caracterizar os tipos de danos e fornecer recomendações para reduzir vulnerabilidades futuras na construção.

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