Saúde

Temperaturas acima dos 20º C reduzem número de nascimento de rapazes

NOTÍCIAS DE COIMBRA | 15 minutos atrás em 10-03-2026

Imagem: depositphotos.com

Investigação da Universidade de Oxford associa calor extremo — acima de 20 °C — a menos bebés do sexo masculino nascidos em zonas quentes. Um novo estudo científico revela que a subida das temperaturas ligadas às alterações climáticas está a alterar a proporção de nascimentos entre rapazes e raparigas.

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Segundo os investigadores, quando as temperaturas ultrapassam os 20 °C durante a gravidez, nascem menos rapazes do que raparigas.

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A pesquisa, liderada por especialistas da Universidade de Oxford, analisou dados de mais de cinco milhões de nascimentos em 33 países da África subsaariana e na Índia. Os resultados, publicados na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), mostram que o calor intenso pode aumentar a mortalidade pré‑natal — especialmente de fetos masculinos — durante as fases iniciais da gravidez.

Os cientistas identificaram um limiar de 20 °C como ponto a partir do qual a proporção de rapazes entre os recém‑nascidos diminui significativamente. Dias com temperaturas superiores a este valor parecem afetar mais gravemente a sobrevivência fetal masculina, possivelmente devido a stress térmico e efeitos fisiológicos no organismo das grávidas.

“Mostramos que a temperatura molda de forma decisiva a reprodução humana, ao influenciar quem nasce e quem não chega a nascer”, afirmou o coautor do estudo, Abdel Ghany, destacando as consequentes implicações demográficas e sociais.

Os investigadores salientam que não se trata apenas de um fenómeno biológico. O calor extrema pode também influenciar decisões de planeamento familiar e o acesso a cuidados de saúde, alterando comportamentos reprodutivos em contextos onde a temperatura elevada dificulta deslocações ou afeta a estabilidade económica, pode ler-se na EuroNews.

O estudo alerta ainda que os efeitos não são uniformes em todas as populações: mulheres com menos recursos económicos e aquelas em áreas mais vulneráveis parecem ser as mais afetadas.

Com as projeções climáticas a apontarem para mais dias quentes e ondas de calor intensas em muitas regiões do mundo, incluindo partes da Europa como Portugal, Espanha ou a Grécia, os investigadores defendem que é essencial compreender melhor como o ambiente influencia a reprodução humana.

Este estudo insere‑se num contexto mais amplo de pesquisas que indicam que eventos climáticos extremos podem afetar não só a fertilidade e cuidados de saúde materna, mas também a composição demográfica das populações a longo prazo.

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