A programação do Teatrão de Coimbra trouxe para 2026 preocupação com a diversidade de públicos, propondo espetáculos para todas as idades e em múltiplos formatos, incluindo quatro criações novas, revelou hoje a diretora artística, Isabel Craveiro.
“O Teatrão continua e continuará a fazer espetáculos para variadas idades, em múltiplos formatos, e isto tem muito a ver com aquilo que é alinhado, agora mais diretamente, com o tempo atual e com o que nos parece ser o papel dos artistas no mundo de hoje. De alguma forma têm de criar ou conseguir fazer as ligações, que as pessoas não conseguem, entre o mundo, o futuro, a esperança e a utopia”, destacou.
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Em declarações à agência Lusa, Isabel Craveiro explicou que não é por acaso que o mote dos projetos para os próximos tempos seja “re unir para re existir” (escrito propositadamente desta maneira).
“Voltar a unir as pessoas para, de alguma forma, voltar a existir. Ou seja, pressupõe-se aqui uma ideia de que nós, sociedade, conseguimos pensar uma nova maneira de viver no mundo sem dar cabo dele”, acrescentou.
Para 2026, esta companhia profissional de teatro de Coimbra faz “uma aposta grande” na dança e na música e propõe quatro criações novas, sendo duas delas coproduções.
“No Dia Mundial do Teatro [27 de março}, vamos fazer a estreia da primeira delas, com a Terra Amarela, que se chama ’96 Decibéis’. É uma ópera rock sobre o amor, com música original dos Quinta Punkada e direção do Marco Paiva”, informou.
O Teatrão e a Terra Amarela juntam-se num trabalho que “está muito alicerçado num novo projeto de formação que o Teatrão tem, que se chama Mais” e que procura contribuir para a profissionalização de artistas com deficiência.
Nos dias 29 e 30 de maio estreia a outra coprodução do Teatrão e Alma d’Arame, intitulada “Capote”, que nasceu a partir do conto com o mesmo nome de Nikolai Godol.
“É um espetáculo de teatro de objetos cocriado com uma estrutura de Montemor [-o-Novo] (Alma d’Arame – Teatro Marionetas). O Teatrão retoma aqui também algumas outras linguagens teatrais que interessa, de vez em quando, trabalhar, neste caso a manipulação de bonecos e objetos”, informou.
Irá debruçar-se sobre “aquilo que são as relações com a ideia do que é o Estado, o funcionário público, a ideia da nossa relação com o próprio trabalho e o nosso papel na mudança ou na preservação do sistema”.
Para o segundo semestre do ano, o Teatrão propõe “Contos de Montanha”, um espetáculo pensado a partir daquilo que é o universo da literatura de montanha, “ou seja, do Interior de Portugal, no eixo entre Trás-os-Montes e Beiras”.
“Vai ser construído a partir do imaginário de uma série de autores dedicados a esta relação do interior com a natureza, com alguma mitologia”, indicou.
Já a encerrar o ano, de 26 de novembro a 27 de dezembro, o Teatrão leva ao palco “Diz-me que noite é esta”, uma adaptação a partir de “Um Conto Natal”, de Charles Dickens.
Na “extensa e desafiante” programação do Teatrão para 2026, destaque ainda para a nova criação para a infância, “O Tempo das Árvores”, em cena até dia 24 de janeiro.
O Festival Todos São Palco – Mostra de Teatro Brasileiro traz uma nova edição dedicada à Amazónia, de 07 de setembro a 03 de outubro, passando pelo Teatrão espetáculos e projetos da “Cassandra” (de Sara Barros Leitão), Elmano Sancho – Loup Solitaire, “O Rumo do Fumo” (de Vera Mantero), “Nuisis Zobop” (de Hugo Calhim Cristóvão e Joana von Mayer Trindade), “crl” – central elétrica (de André Braga e Cláudia Figueiredo).
A Tabacaria – café-concerto terá um espaço de programação com curadoria da Saliva Diva, que se junta ao já estabelecido alinhamento de concertos pensados por Rui Lúcio e Victor Torpedo.
Nos próximos meses, destaque para os concertos de EVAYA, “Como Um Sonho Lindo” (espetáculo de homenagem a Fausto Bordalo Dias pelo Coimbra Jazz Ensemble em coprodução com a ACERT) e os britânicos Eel Men.
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